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Nova York, 20 de março de 2026 – A brasileira Amanda Ungaro, ex-modelo e ex-embaixadora de Granada na ONU, foi detida pela Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e deportada para o Brasil após o italiano-americano Paolo Zampolli – creditado por ter apresentado Donald Trump à futura esposa Melania em 1998 – ter contactado um alto funcionário da agência para garantir sua transferência para custódia imigratória, em meio a uma prolongada disputa pela guarda do filho adolescente do casal, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira pelo The New York Times.
Zampolli, atualmente enviado especial do presidente Trump para parcerias globais, soube em junho de 2025 que Amanda havia sido presa em Miami por acusações de fraude num spa médico onde atuava com o atual marido. De acordo com registros obtidos pelo jornal e uma fonte familiarizada com as comunicações, ele ligou para David Venturella, então alto oficial da ICE, informou que a ex-namorada vivia irregularmente no país (com visto expirado desde 2019) e questionou se ela poderia ser colocada em detenção imigratória – o que, segundo o NYT, ele via como oportunidade para fortalecer sua posição na briga pela custódia do filho Giovanni.

A disputa judicial remontava ao fim do relacionamento de cerca de duas décadas, iniciado em 2002 quando Amanda, então com 17 anos, chegou a Nova York vinda de Paris no avião privado de Jeffrey Epstein, acompanhada de um agente francês de modelos. Amanda afirmou ao NYT que nunca mais teve contato com Epstein após essa viagem. Zampolli, então com 32 anos, recrutou-a como modelo, iniciaram um namoro e tiveram o filho. Amanda alega que Zampolli prometeu repetidamente casamento para garantir-lhe estabilidade migratória e cidadania americana, mas nunca cumpriu; acusa-o ainda de infidelidades com mulheres mais jovens e de um estilo de vida incompatível. Em 2023, ela deixou o relacionamento, mudou-se para a Flórida, casou-se com um médico brasileiro e tentou levar o filho consigo – o que gerou ações judiciais por guarda física, visitas e pensão alimentícia. Zampolli queria o adolescente de volta aos Estados Unidos e via na deportação de Amanda uma forma de enfraquecer sua reivindicação parental.
Venturella teria acionado o escritório da ICE em Miami, destacando que o caso interessava “alguém próximo à Casa Branca”, garantindo que agentes a pegassem na cadeia antes de eventual liberação sob fiança. Amanda foi transferida para custódia federal e, em setembro de 2025, pediu deportação voluntária ao Brasil; o filho foi com ela em novembro, mas retornou aos EUA até o final do ano e agora vive com o pai.
Amanda disse ao NYT que considera “devastador” que a influência de Zampolli possa ter afetado o processo: “Eles podem ter influenciado o que me aconteceu”. Tanto Zampolli quanto o Departamento de Segurança Interna (DHS) negam qualquer favorecimento. Zampolli confirmou a ligação, mas afirmou que foi apenas para “entender o processo” e não para pedir detenção ou deportação. O DHS foi categórico: “Qualquer sugestão de que ela foi presa e removida por motivos políticos ou favores é FALSA”. A agência atribui a deportação ao visto vencido e às acusações criminais – desfecho que o próprio NYT reconhece como provável independentemente da intervenção, embora a rapidez sugira possível aceleração.
— Paolo Zampolli (@AMBZAMPOLLI) July 3, 2020
O caso destaca um padrão recorrente na segunda administração Trump de uso de recursos federais em questões pessoais, segundo analistas citados pela imprensa americana. No contexto da cena de modelos de Nova York, Zampolli também teve “contatos profissionais” com Jeffrey Epstein: seu nome aparece várias vezes nos documentos do Departamento de Justiça relacionados ao caso Epstein, incluindo discussões sobre a possível compra conjunta de uma agência de modelos. Em um e-mail de 2011 citado nos arquivos, Epstein alertou um empresário para evitar Zampolli, chamando-o de “problema”. Zampolli negou ao NYT qualquer relacionamento próximo ou quente com Epstein, afirmando que seu nome aparece bem menos que o de outras figuras públicas e fazendo piada: “Pelo menos fui incluído, porque se você não está na lista, você é um perdedor, certo?”.
A disputa pela custódia de Giovanni prossegue nos tribunais americanos. O episódio, envolvendo uma brasileira no centro de redes de poder em Washington, reflete as interseções entre imigração, relações pessoais e influência política nos Estados Unidos atuais.
Fontes:
Man and woman arrested for alleged unlicensed cosmetic procedures in Aventura: https://www.nbcmiami.com/news/local/man-and-woman-arrested-for-alleged-unlicensed-cosmetic-procedures-in-aventura/3640815/
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