JSNEWS
Washington – 5 de maio de 2026: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar o papa Leão XIV, acusando o pontífice de “colocar em perigo muitos católicos e muitas pessoas” ao criticar a guerra contra o Irã e defender o diálogo em vez de ação militar. A declaração foi feita em entrevista ao programa de rádio de Hugh Hewitt, transmitida nesta segunda-feira.
Trump afirmou textualmente:
> “Ele prefere falar sobre o fato de que está tudo bem o Irã ter uma arma nuclear, e eu não acho isso muito bom. Acho que ele está colocando em perigo muitos católicos e muitas pessoas. Mas acho que, se depender do papa, ele acha que está tudo bem o Irã ter uma arma nuclear.”
A crítica ocorre poucos dias antes da visita do secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao Vaticano, marcada para esta semana, e representa nova escalada no atrito entre o presidente e a Santa Sé.
Posição do papa sobre o conflito e Histórico de atritos
Leão XIV, o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, tem se manifestado repetidamente contra a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em fevereiro. O papa condenou ameaças de destruição de “toda a civilização iraniana”, classificou ataques como violações do direito internacional e defendeu uma “cultura de paz” em vez de “ilusão de onipotência”. Ele também condenou a violência do regime iraniano contra manifestantes, mas reafirmou que “como pastor, não posso ser a favor da guerra”.
O confronto atual não é isolado. Desde a campanha de 2016, Trump mantém tensão pública com a Santa Sé. Na época, o papa Francisco criticou a proposta de Trump de construir um muro na fronteira com o México, chamando-a de “não cristã”. Trump respondeu classificando Francisco de “homem político” e “muito político”.
Mesmo após se encontrarem no Vaticano em 2017, as divergências persistiram em temas como imigração, mudança climática e aborto. Com a eleição de Leão XIV em 2025, esperava-se uma relação mais fluida, dado o fato de o novo papa ser americano. No entanto, o conflito se intensificou com o início da guerra no Irã, revelando um padrão mais amplo.
Críticos conservadores nos Estados Unidos argumentam que a Santa Sé, ao longo das últimas décadas, tem se mostrado consistentemente mais crítica às políticas americanas — especialmente intervenções militares, pena de morte e modelo econômico liberal — do que a regimes ditatoriais de esquerda ou a atos de terrorismo praticados por grupos fundamentalistas islâmicos. Essa percepção de assimetria no tom das críticas vaticanas é recorrente em setores republicanos e evangélicos.
O episódio atual reforça uma tradição histórica de tensão entre o poder temporal americano e a autoridade moral do Vaticano, embora as relações diplomáticas entre Washington e a Santa Sé sejam formais desde 1984.
A Casa Branca não comentou oficialmente a nova declaração de Trump, mas aliados do presidente defendem que a posição papal enfraquece a segurança global ao relativizar a ameaça nuclear iraniana.
A reportagem acompanha o desdobramento da visita de Marco Rubio ao Vaticano, que deve tentar conter o desgaste diplomático entre os dois lados.


