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O que Cuba e o estado de Nova York têm em comum? Ambos estão ansiosos para que ex-residentes agora vivendo na Flórida retornem e tragam consigo seus recursos financeiros — salários altos, investimentos, patrimônio e poder de compra.
A governadora de Nova York, Kathy Hochul, foi questionada recentemente em um fórum da Politico sobre o aumento de impostos defendido pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Com ironia involuntária, ela respondeu: “Talvez o primeiro passo seja ir até Palm Beach e ver quem podemos trazer de volta para casa, porque nossa base tributária foi erodida”. Boa ideia, governadora — mas improvável.
Diferentemente dos cubanos que fugiram do regime comunista e hoje vivem na Flórida, os contribuintes de Nova York não foram forçados a sair: eles escolheram. E escolheram com plena consciência. Nos Estados Unidos, os cidadãos têm a rara liberdade de “votar com os pés”: podem mudar de residência para estados com custo de vida mais baixo, impostos estaduais e locais menos asfixiantes, regulamentações menos invasivas e um ambiente mais favorável à iniciativa privada e ao acúmulo de riqueza.
A Flórida, sem imposto de renda estadual, com custo de vida mais acessível em muitas regiões e clima de liberdade econômica, tornou-se o destino óbvio para profissionais de alta renda, empresários e aposentados que fugiram das alíquotas progressivas de Nova York (que chegam a 10,9% no imposto estadual mais o municipal) e da carga regulatória crescente. O Tax Foundation classifica Nova York como o estado menos competitivo em matéria tributária entre os 50 da União. Não é surpresa que a base tributária esteja encolhendo: quem pode, simplesmente vai embora.
Cuba, por outro lado, não oferece essa opção. O regime comunista expropriou propriedades, proibiu a iniciativa privada por décadas e agora, em desespero econômico, tenta atrair de volta seus exilados com promessas de “proteção à propriedade privada” — depois de 67 anos de confisco sistemático. O vice-primeiro-ministro Óscar Pérez-Oliva Fraga fez o mesmo apelo que Hochul: volte e traga seu dinheiro. Mas enquanto os floridianos de origem cubana podem ignorar Havana sem medo de represália, os nova-iorquinos que migraram para o sul não precisam nem olhar para trás.
Nova York não é comunista, claro. Mas o novo prefeito da cidade, Zohran Mamdani, um socialista democrático declarado, defende políticas que aumentam ainda mais a carga fiscal sobre os contribuintes remanescentes — exatamente o tipo de medida que acelera o êxodo. A governadora Hochul reconhece o problema, mas a solução que ela sugere (ir buscar os fugitivos) ignora a realidade: ninguém é obrigado a ficar em um estado que taxa excessivamente e regula excessivamente. Os americanos têm escolha — e exercem-na.
O contraste é revelador. Cuba tenta reconquistar sua diáspora com promessas frágeis e sem credibilidade. Nova York perde contribuintes porque o modelo de alta tributação e intervenção estatal se tornou insustentável — e os cidadãos, livres para decidir onde viver e onde investir seu dinheiro, optam por locais onde o “espírito do estado” é menos asfixiante.
Enquanto a Flórida continua crescendo com novos residentes e nova riqueza, Nova York e Cuba seguem competindo por quem consegue trazer de volta quem já foi embora. A diferença é que, nos Estados Unidos, ninguém precisa voltar se não quiser. E a maioria simplesmente não quer.


