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O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, afirmou neste domingo (22 de março de 2026) que agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) estão capacitados e treinados para assumir funções de apoio à Administração de Segurança no Transporte (TSA) nos aeroportos americanos, em meio à paralisação parcial do Departamento de Segurança Interna (DHS).
Em entrevista ao programa This Week, da ABC News, Duffy defendeu a medida anunciada pelo presidente Donald Trump, que confirmou o envio de agentes do ICE aos aeroportos a partir desta segunda-feira (23). O objetivo, segundo o secretário, é aliviar as longas filas de segurança que têm se agravado com a crise orçamentária, que já dura mais de um mês e deixou agências como TSA, FEMA e Guarda Costeira sem financiamento adequado.
“Eles sabem como revistar pessoas, operar máquinas de raios X e gerenciar fluxos de passageiros”, disse Duffy ao apresentador Jonathan Karl. Ele destacou que os agentes do ICE lidam com equipamentos semelhantes aos usados na fronteira sul — scanners e triagem de pessoas e pacotes — e podem contribuir tanto na operação técnica quanto na administração de filas e tarefas logísticas. Duffy rejeitou críticas à falta de treinamento específico para aeroportos, afirmando que a formação em segurança dos agentes é suficiente para prestar assistência efetiva.
A declaração vem após Trump postar em sua rede social Truth Social que o ICE começaria a atuar nos aeroportos para “ajudar nossos maravilhosos agentes da TSA que permaneceram no trabalho”. O “czar das fronteiras” Tom Homan coordena o esforço, com centenas de oficiais do ICE sendo deslocados para terminais principais — como o Hartsfield-Jackson de Atlanta, entre outros 14 aeroportos citados em fontes do DHS. As funções exatas ainda são definidas em coordenação com a TSA, mas incluem monitoramento de saídas, verificação de identidades e gerenciamento de multidões, liberando agentes da TSA para focar nas triagens de bagagem e passageiros.
Duffy atribuiu o caos aos democratas, que teriam bloqueado o financiamento do DHS para forçar reformas no ICE — como proibição de máscaras em agentes, obrigatoriedade de câmeras corporais e exigência de mandados judiciais para entradas em residências ou negócios. Os republicanos rejeitaram essas propostas. Enquanto isso, o ICE segue financiado por verbas do pacote de impostos e gastos aprovado no verão passado. O secretário acusou a oposição de querer “longas filas como vantagem política” e disse que Trump busca eliminar esse “ponto de alavancagem” para evitar prejuízos ao público em plena temporada de spring break.
A crise já causou impactos concretos: mais de 366 agentes da TSA pediram demissão desde o início da paralisação, e as ausências não programadas mais que dobraram nos últimos dias. Duffy previu que a situação piorará nos próximos dias, com mais ausências esperadas entre quinta e sábado, pressionando o Congresso por uma resolução.
A medida gerou críticas imediatas. Sindicatos da TSA argumentaram que agentes do ICE, treinados em aplicação da lei imigratória e não em segurança aeroportuária civil, não deveriam substituir profissionais especializados. Líderes democratas classificaram a iniciativa como desnecessária e potencialmente prejudicial à privacidade e à fluidez do tráfego aéreo.
O envio de agentes do ICE aos aeroportos representa uma escalada incomum no impasse orçamentário, expondo vulnerabilidades no sistema de transporte em um momento de alta demanda por viagens. Enquanto a administração Trump insiste que a ação garante segurança e eficiência, o desfecho dependerá de negociações em Washington — ou de uma prolongação da crise que pode afetar milhões de passageiros nos próximos dias.


