WASHINGTON – A Nasa realizou nesta quarta-feira (1º) o lançamento bem-sucedido da missão Artemis II, marcando o retorno de astronautas americanos à vizinhança da Lua após mais de cinco décadas desde o programa Apollo. O foguete Space Launch System (SLS), o mais poderoso já construído pela agência, decolou do Complexo de Lançamento 39B, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, às 18h35 no horário de Brasília (22h35 UTC), com uma janela de duas horas que transcorreu sem intercorrências significativas.
A bordo da cápsula Orion seguem quatro astronautas: o comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover, a especialista em missão Christina Koch (todos da Nasa) e o especialista Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA). É a primeira vez que uma missão lunar tripulada leva quatro pessoas simultaneamente — as missões Apollo transportavam apenas três — e também a primeira a incluir uma mulher (Koch), um astronauta negro (Glover) e um não americano (Hansen).
O presidente Donald Trump, em pronunciamento à nação transmitido na mesma noite, abriu seu discurso parabenizando a Nasa pelo feito. “Esta noite, pela primeira vez em mais de 50 anos, os Estados Unidos estão de volta à Lua”, afirmou, destacando o lançamento como prova de que “a América está vencendo no espaço, na Terra e em todos os lugares”. O tom vitorioso alinhou-se à narrativa de liderança tecnológica americana, especialmente em contraste com avanços de competidores como China e Rússia no setor espacial.
A missão Artemis II é um voo de teste tripulado essencial para validar os sistemas da Orion em ambiente de espaço profundo, incluindo escudo térmico, sistemas de suporte à vida, navegação e comunicações. Diferentemente da Artemis I (não tripulada, em 2022), que já testou o SLS e a Orion em órbita lunar, esta jornada levará humanos além da órbita terrestre baixa pela primeira vez desde Apollo 17, em dezembro de 1972.
O perfil da trajetória é uma órbita “em oito”: após separação do foguete, a Orion realizará queimas de motor para deixar a órbita terrestre, seguir rumo à Lua, passar a cerca de 6.450 a 9.650 km da superfície lunar (incluindo o lado oculto da Lua, onde perderá contato com a Terra por breve período) e retornar impulsionada pela gravidade lunar. A duração total prevista é de aproximadamente dez dias, com splashdown no Oceano Pacífico.
Durante a viagem, a tripulação testará em tempo real o desempenho da nave em condições de radiação elevada e isolamento prolongado — dados cruciais para as missões futuras. A Artemis III, planejada para 2028, deverá levar astronautas à superfície lunar, incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar na Lua, como parte do objetivo maior do programa Artemis: estabelecer presença sustentável no satélite natural da Terra como preparação para explorações em Marte.
O lançamento ocorreu com elevada probabilidade de sucesso meteorológico (próxima de 90% na janela final) e sem os atrasos que marcaram tentativas anteriores. Equipes da Nasa já confirmaram que os painéis solares da Orion se desdobraram corretamente e que os sistemas iniciais operam normalmente. Nas próximas horas, a missão deve realizar a queima de injeção translunar, enviando definitivamente a tripulação em direção à Lua.
Do ponto de vista internacional, a participação canadense reforça o Acordo Artemis, assinado por dezenas de países, que estabelece princípios para exploração lunar pacífica e sustentável. Para o Brasil, o evento reacende debates sobre a importância de investimentos em ciência e tecnologia espacial, especialmente em um momento de crescente competição geopolítica no espaço.
Especialistas avaliam que Artemis II representa não apenas um marco técnico, mas também simbólico: o fim de um hiato de mais de meio século em voos humanos tripulados além da órbita terrestre e o início concreto de uma nova era de exploração lunar. Se tudo correr conforme o planejado, a missão pavimentará o caminho para pousos tripulados e, eventualmente, para bases lunares permanentes.
A Nasa transmitiu o lançamento ao vivo para milhões de espectadores em todo o mundo. Enquanto a Orion segue sua jornada, o foco agora se volta para o monitoramento diário da saúde da tripulação e dos sistemas da nave. O retorno à Terra está previsto para cerca de dez dias após o lançamento, quando os astronautas amerissarão no Pacífico e serão recuperados por equipes navais.
O sucesso de ontem reforça o compromisso americano com a exploração espacial civil e militar, em um contexto de tensões globais que incluem avanços chineses no programa lunar. Para Trump e sua administração, o feito chega em momento oportuno, projetando imagem de força tecnológica mesmo em meio a outros desafios internacionais. O mundo acompanha agora os próximos capítulos dessa jornada histórica que, mais uma vez, coloca a Lua no centro das ambições humanas.


