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Londrina — Camila Dias Briote, empresária do setor de moda e joias com atuação em Londrina (PR) e nos Estados Unidos, tornou-se alvo de investigações policiais nos dois países sob suspeita de estelionato. Ela é acusada de receber peças de luxo em consignação para revenda e não as devolver nem pagar pelos valores devidos, com prejuízos que podem chegar a US$ 20 milhões (cerca de R$ 100 milhões). Parte das joias teria sido penhorada em casas de penhor na Flórida.
De acordo com reportagens do programa a mídia brasileira, a empresária, que possui nacionalidade brasileira e americana, obtinha joias de alto valor — ouro, esmeraldas, turmalinas e outras pedras preciosas — de joalheiros brasileiros e norte-americanos sob a promessa de vendê-las mediante comissão.
As vítimas relatam que, após entregas iniciais com pagamentos parciais para construir confiança, a empresária passava a atrasar os acertos com sucessivas justificativas — como problemas pessoais ou a morte de uma funcionária — até interromper o contato. Muitas peças foram localizadas em pawn shops (casas de penhor) no sul da Flórida, onde Briote teria imóvel, frequentemente vendidas por frações do valor de mercado. Um colar de turmalinas avaliado em US$ 120 mil, por exemplo, teria sido penhorado por apenas US$ 6 mil.
Um relatório do FBI obtido pela emissora brasileira lista centenas de peças rastreadas ao nome de Camila Dias Briote, algumas ainda com etiquetas originais dos fornecedores. Um joalheiro afirmou ter perdido cerca de US$ 500 mil em 50 peças; outro, representado por advogado, fala em prejuízo próximo a US$ 7 milhões.
Investigações no Brasil e nos EUA
No Brasil, a Delegacia de Estelionato de Londrina apura o caso como estelionato. Desde 2024, Briote já era investigada por suposto golpe envolvendo bolsas de luxo, com prejuízo superior a R$ 4 milhões. A Polícia Federal foi comunicada em razão do caráter internacional do caso.
Nos Estados Unidos, as denúncias mobilizaram o FBI. Até o momento, não há confirmação pública de indiciamento ou prisão nos EUA. A polícia federal americana, consultada, seguiu a praxe de não comentar investigações em andamento.
Defesa contesta acusações
Em nota enviada à imprensa, os advogados João Eugenio Oliveira e Rafael Garcia Campos, que representam Camila Dias Briote exclusivamente no Brasil, afirmam que as denúncias “não têm respaldo jurídico” e que não existem provas de prática criminosa em território brasileiro. Classificam a questão como uma “demanda comercial” e garantem que a cliente “está e sempre esteve à disposição das autoridades”. Os defensores informaram não possuir mandato para atuar no exterior.
Nota da defesa: “Sobre o inquérito em curso no Brasil, no momento processual adequado nos manifestaremos a respeito do uso indevido do processo penal para resolver questões estritamente comerciais. As supostas vítimas apresentam denúncia absolutamente sem respaldo jurídico e sem qualquer prova de ato ou fato acontecido em território brasileiro”.
Perfil empresarial
Natural de Londrina, Camila Dias Briote atuou no varejo de moda de luxo. Foi sócia da loja Talencce, no Aurora Shopping, e possui formação em Fashion Design pelo IED (São Paulo) e em Fashion Merchandising em Miami. Sua família é conhecida no meio empresarial paranaense. Registros judiciais mostram que ela responde a processos cíveis no Tribunal de Justiça do Paraná e de São Paulo, em sua maioria relacionados a questões comerciais.
O caso, que ganhou repercussão nacional nesta segunda-feira, deve envolver cooperação internacional entre autoridades brasileiras e americanas.
Referencias:
Brasileira é investigada pelo FBI por desviar joias nos EUA: ‘É um rosto bonitinho… e depois vem o grand finale’
Vítimas acusam brasileira de desvio milionário de joias nos EUA, diz TV
Jus Brasil


