Edel Holz
Eu nunca fui sócia do CPN, mas minha cunhada Leia trabalhou lá por muitos anos. A gente se encontrava no “Happy Hour” e ela me arrumava convites pros carnavais. E foram muitos… nunca fui ao clube pra nadar ou tomar sol. Só para festas de casamento, shows, réveillons e desfiles de moda. O Elias passava a gente na catraca. Teve um dia que o Irmão (Gustavo José Lemos) me colocou pra apresentar um evento que não me lembro qual, e eu estava literalmente vestida de galinha, com pena pra tudo quanto é lado! Apresentei junto com o Mark Piassi.
Outra vez, me pôs no palco dizendo o que os noivos estavam fazendo, tipo: “Agora o noivo vai colocar o anel no dedo da noiva; agora o noivo vai beijar a noiva…”. E o Robinho enlouquecido embaixo do palco, fazendo gestos, me dizendo o que fazer, e eu sem entender nada… um asco! Foi um constrangimento. Só aceitei porque a noiva era muito minha amiga. Tomei um porre de Moët Chandon e minhas sobrinhas me levaram pra casa, tiraram minha roupa, me puseram o pijama e me colocaram na cama.
E os shows? Roupa Nova, Elba Ramalho, Ultraje a Rigor (acabei saindo do clube — eu e Lu Bacil — de ônibus com o conjunto, e eu fisguei o vocalista). Esses shows maiores eram no ginásio. No do Hanoi-Hanoi, quebrei meu dente da frente cheirando lança-perfume e depois tampei a boca pra disfarçar a banguelice quando me cumprimentavam. Era meu aniversário, e no outro dia o Fernando de Ribeirão arrumou meu dente com resina, que durou muito tempo. Teve um carnaval em que a Liliane Hadad quebrou o vidro do banheiro e um casal que se amassava embaixo quase morreu envidraçado. A sorte é que acho que aquele vidro era cenográfico.
Era uma disputa pra cheirar lança no carnaval… só os mais abastados conseguiam o verdadeiro, e a gente lava. Dava uma doideira na cabeça: a gente ouvia um barulho, via um túnel e pronto! Acabava rapidinho a zoeira. Eu tinha uma turma que se fantasiava todo ano. Desenhei um figurino de mulher das cavernas com napa e pele de coelho. Lembro da Andreia Mattar, Lidi, Helaine do Breno no bloco… não recordo todos os nomes, era uma turma enorme! Na primeira noite, acabou a luz na cidade inteira, menos a do Clube. Papai me proibiu de ir sozinha andando no breu, e eu passei a noite fantasiada de mulher cavernosa, chorando muito e ouvindo as marchinhas ao longe da varanda do Credi-real.
No ano seguinte, foi a vez da Lidiane criar o macaquinho de Fórmula 1, que deu o que falar. Arrasou! O Irmão decorava o Clube anualmente. Não me esqueço do ano dos pierrôs. Ele botava a gente pra colar os painéis e tacar brocal na cola na sala da Censa. Teve um casamento de uma amiga minha em que os convidados da parte do marido nunca haviam visto tanta fartura e invadiram a mesa de frios e doces antes da hora. Não me esqueço disso!
Os réveillons eram lindos, mas uma falsidade danada. Quem nunca te olhou ou nunca foi com sua cara, te abraçava e desejava um feliz ano novo! Zé da Beca e Luis Eduardo Simão eram pés de valsa e dançavam muito bem pelo salão. O clube foi crescendo, com academia de ginástica e muitas novidades. Ultimamente não conheço mais ninguém que lá frequenta.
Jamais me esquecerei dos porres, dos vômitos no banheiro e no jardim, das brigas, do amigo que de tão tonto perdeu o carro, dos sandubas de carne na Quarta-Feira de Cinzas e daquela música que a gente odiava ouvir porque acabava com nossa festa: “Adeus amor eu vou partir…”
Pena que tudo que é bom dura pouco.
A gente era feliz e sabia!
SOBRE A COLUNISTA: Edel Holz é a mais premiada e consagrada atriz, roteirista, diretora e produtora teatral brasileira nos Estados Unidos. Inquieta e de mente profícua, Edel tem sempre um projeto cultural engatilhado para oferecer para a comunidade brasileira. Depois de anos de ausência, Edel volta a abrilhantar as páginas de um jornal. Damos as boas vinda à poderosa e de mente efervescente Edel.


