JSNews
Em um movimento para unificar regras ambientais e reduzir o lixo plástico, o Senado de Massachusetts deve debater na próxima semana um projeto que pode proibir as sacolas plásticas de uso único em todo o estado. A medida faz parte do ambicioso Mass Ready Act, um pacote de US$ 3,64 bilhões destinado a combater mudanças climáticas, proteger a água potável e limpar contaminantes tóxicos.
Mais de 160 cidades e municípios de Massachusetts (cerca de dois terços do estado) já adotaram proibições locais, mas a lei estadual traria uma regra única, acabando com regulamentações diferentes que mudam da cidade para cidade.
Segundo estimativa do Sierra Club de Massachusetts, os moradores do estado usam mais de 2 bilhões de sacolas plásticas por ano — o equivalente a uma sacola por pessoa por dia. Leves e baratas para os estabelecimentos, elas se tornam um pesadelo para o meio ambiente: não são biodegradáveis, duram “para sempre”, poluem rios e oceanos, matam animais selvagens e acabam virando lixo nas ruas.
O que prevê o projeto?
- Proibição total de sacolas plásticas finas de uso único nos caixas de supermercados, lojas e varejistas.
- Em seu lugar, os clientes poderão usar suas próprias sacolas reutilizáveis ou comprar sacolas de papel reciclado ou plásticas mais resistentes.
- Taxa mínima de 10 centavos por sacola de papel reciclado ou reutilizável: metade fica com o comércio, a outra metade vai para um Fundo Estadual de Proteção Ambiental contra Plásticos.
O projeto é baseado em legislação apresentada pela governadora democrata Maura Healey no ano passado. Além das sacolas, o Mass Ready Act inclui milhões para proteger a infraestrutura de água potável e US$ 120 milhões especificamente para remover os “químicos eternos” (PFAS) de fontes públicas e privadas de água.
Reações divididas
Para ambientalistas e senadores como Becca Rausch (presidente da Comissão de Meio Ambiente), a medida é “absolutamente crítica” e urgente. “Precisamos de consistência em todo o estado. Plásticos de uso único são extremamente danosos para o meio ambiente, a vida selvagem, nossas fontes de alimento e a saúde humana”, defende.
Do lado dos comerciantes, especialmente pequenos negócios, o tom é de preocupação. Jon Hurst, presidente da Retailers Association of Massachusetts, argumenta que propostas como essa afastam clientes das lojas locais num momento em que muitos já lutam para sobreviver. “Precisamos incentivar as pessoas a comprar no comércio de rua, não dificultar ainda mais.”
Entre os consumidores, as opiniões também se dividem:
- Alguns acham a taxa de 10 centavos (ou até 30-40 centavos a mais na conta) irritante, especialmente com a inflação nos preços de supermercado.
- Outros defendem que já passou da hora: “É hora de fazer isso. Estamos atrasados”, disse uma compradora em reportagem da WCVB. Muitos já levam sacolas reutilizáveis e veem a mudança como natural.
O que acontece agora?
O Comitê de Ways and Means do Senado aprovou o texto na quarta-feira (8). O debate e possível votação no plenário do Senado estão marcados para 15 de abril. Se aprovado, o projeto segue para a Câmara dos Deputados.
Se virar lei, Massachusetts se juntará a uma lista crescente de estados americanos que adotaram proibições ou taxas sobre sacolas plásticas, reforçando sua imagem de líder em políticas ambientais — mesmo que isso signifique um pequeno incômodo extra na hora de fazer compras.
Enquanto o debate esquenta em Beacon Hill, a pergunta que fica é: você está pronto para deixar as sacolas plásticas de vez no passado? Ou a taxa de 10 centavos vai pesar mais no bolso do que no meio ambiente?


