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Washington — Um estudo publicado na revista médica JAMA em 16 de abril de 2026 aponta que a taxa de mortalidade entre detidos pela Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) alcançou, no início do ano fiscal de 2026, o nível mais alto em 22 anos.
Os pesquisadores analisaram 272 mortes em custódia do ICE entre o ano fiscal de 2004 e 19 de janeiro de 2026. No período inicial de 2026 (outubro de 2025 a 19 de janeiro), foram registradas 18 mortes, o que resulta em uma taxa anualizada de 88,9 óbitos por 100 mil detidos. Desde então, outras dez mortes foram reportadas até meados de abril.
Os autores do estudo destacam “fraqueza sistêmica” nos cuidados médicos da agência, que teria se agravado nas últimas duas décadas. O aumento coincide com o crescimento expressivo da população em detenção durante o atual governo de Donald Trump, com relatos de piora nas condições de custódia.
Comparação histórica de picos
- 2004 (pico absoluto): taxa de 127,7 por 100 mil — o maior registrado no período analisado.
- 2020 (primeiro ano da pandemia de Covid-19): taxa de 75,6 por 100 mil.
- 2023 (menor nível): taxa de 13,0 por 100 mil.
- 2025: taxa de 47,5 por 100 mil.
- 2026 (parcial): 88,9 por 100 mil — superior ao pico da pandemia e o mais alto desde 2004.
Após forte declínio entre 2004 e 2011, as taxas voltaram a subir a partir de 2024. O estudo ressalta variabilidade anual e mudanças nas causas de morte, com maior proporção de óbitos por doenças infecciosas e suicídios em períodos recentes.
A administração Trump e o Departamento de Segurança Interna (DHS) contestam parte das interpretações, afirmando que a taxa geral permanece baixa (cerca de 0,009% da população detida) e que muitos detidos apresentavam condições de saúde preexistentes.
O estudo, liderado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco, pede investigação mais profunda sobre acesso a cuidados de saúde nas instalações do ICE.


