JSNEWS – O Papa Leão XIV nomeou na sexta-feira, 1º de maio, um ex-imigrante indocumentado como bispo de uma diocese nos Estados Unidos, após criticar a guerra contra o Irã e as políticas de imigração de Donald Trump.
O Vaticano anunciou, por meio de comunicado, a nomeação de Evelio Menjivar-Ayala, de 55 anos, atualmente bispo auxiliar em Washington, D.C., para bispo da diocese de Wheeling-Charleston, na Virgínia Ocidental.
Nascido em El Salvador, Menjivar-Ayala emigrou para os Estados Unidos em 1990, conforme o site da diocese de Washington. Ele relatou ter nascido na pobreza e fugido da guerra civil em seu país, tendo entrado ilegalmente nos EUA.
Detido inicialmente no México ao tentar cruzar a fronteira, ele contou em uma entrevista no ano passado que pagou um suborno para ser libertado e atravessou a fronteira por Tijuana.
Foi ordenado padre em 2004 e bispo em 2023.
Leão XIV, o primeiro papa norte-americano, enfrentou críticas em abril de Donald Trump — que o chamou de “fraco” — depois de o pontífice ter classificado como “inaceitável” a ameaça de Trump de destruir o Irã.
O Papa também condenou as políticas “extremamente desrespeitosas” do presidente americano em relação aos imigrantes, pedindo que “as pessoas sejam tratadas com humanidade”.
Quando ainda era bispo e, depois, cardeal, o futuro papa Robert Prevost publicou várias mensagens em sua conta no X criticando Donald Trump e o vice-presidente JD Vance, especialmente por suas posições sobre imigração.
Sua última publicação, em abril de 2025, incluía um link para um texto de Menjivar-Ayala denunciando a política de deportações em massa do governo Trump.
Diversos líderes da Igreja Católica nos Estados Unidos criticaram recentemente essa política, sobretudo após a morte de dois manifestantes que protestavam contra o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) em janeiro em Minneapolis.
No final de janeiro, o cardeal norte-americano Joseph Tobin, próximo do Papa, pediu aos fiéis que pressionassem seus representantes eleitos a não votarem a favor do orçamento do ICE, que ele classificou como uma organização “fora da lei”. Donald Trump fez do combate à imigração ilegal sua principal prioridade, falando em uma “invasão” dos Estados Unidos por “criminosos estrangeiros”.


