Edel Holz
Não sou do signo de Peixes, mas adoro água. Preciso do mar para ver, sentir e entrar nele… Ele cura as doenças físicas e as da alma. Preciso da calma do lago para me tranquilizar e da brisa das manhãs para me revigorar. No calor, necessito de água em todas as suas formas: chuveiro, mangueira, rio ou minha amada piscina. Ninguém entende por que eu amo tanto uma piscina. Há tanta gente que tem e nem frequenta… Eu não. Quando eu tinha, ia todos os dias.
Depois que entrei na menopausa então… desesperadamente procuro algo imediato para me refrescar. Boto a cabeça no congelador! Na minha infância, meu tio tinha uma piscina enorme de cimento em Passos. Mamãe era à frente de seu tempo e fazia topless perto de nós, crianças.
Meu primo Lellis disse: — Olha lá! O mamá da Tia Netinha é caído! Todo mundo riu! Também… depois de três filhos… Na cidade, não havia muitas casas com piscina. A Tânia do Cebola convidava a gente para nadar na casa dela. Lidi, Cristina, Luciene e eu íamos sempre que dava. Subíamos a Barão de Passos a pé, atravessávamos todas as ruas sozinhas, parávamos na venda da esquina da Gonçalves Dias, comprávamos biscoito de queijo Piraquê e goiabinha para o lanche e ficávamos lá até tarde.
Quando chovia, a água cava quentinha e não tínhamos medo dos trovões. Mamãe nos alertava para não nadarmos depois de comermos, para não dar indigestão. O engraçado é que a gente nem era muito íntimo da família e entrava pelos fundos sem precisar passar pela casa. Tia Neila, mãe da Cristina, construiu a primeira mansão de Passos na Avenida Arouca e liberava a piscina para a gente. Entrávamos pela porta lateral e nos esbaldávamos naquela belezura oval com escada dentro da água. Nunca havia visto isso
Os banheiros eram do lado de fora. As crianças da casa já sentiam nossa presença e vinham brincar conosco. Plantávamos bananeira dentro da água e jogávamos bola. Tia Neila trazia seus doces dos deuses, seu bolo de Apolo e quitutes de dar água na boca. Depois que mamãe sofreu o golpe do próprio irmão e perdemos nossa casa da Rua do Colégio, fomos morar no Credi-Real, que tinha piscina! Todo santo dia eu nadava… que delícia! Até Sophia e Fernando puderam curtir aquela piscina maravilhosa do alto do 13º andar, de onde víamos o horizonte passense.
Ana Luiza era minha companheira piscineira. Luciana cantava e encantava. Tantas festas de aniversário, churrascos e beijos na boca de madrugada… Hoje sonho em ter uma casa com piscina à beira-mar, porque uso, abuso e mereço.
SOBRE A COLUNISTA: Edel Holz é a mais premiada e consagrada atriz, roteirista, diretora e produtora teatral brasileira nos Estados Unidos. Inquieta e de mente profícua, Edel tem sempre um projeto cultural engatilhado para oferecer para a comunidade brasileira. Depois de anos de ausência, Edel volta a abrilhantar as páginas de um jornal. Damos as boas vinda à poderosa e de mente efervescente Edel.


