BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve viajar a Washington nesta quarta-feira (6) para um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, na quinta-feira (7). A informação, confirmada por fontes dos dois governos, foi antecipada por veículos como O Globo e ratificada pelo Estadão.
A reunião, negociada desde janeiro, ocorre após sucessivos adiamentos – o mais recente previsto para março – e representa um esforço de ambos os lados para estabilizar uma relação marcada por atritos comerciais, divergências geopolíticas e episódios recentes de tensão diplomática. A agenda oficial ainda não foi divulgada pela Casa Branca nem pelo Itamaraty, mas deve priorizar temas econômicos e de segurança.
Pauta econômica no centro das discussões
O principal objetivo brasileiro é avançar na reversão ou mitigação dos efeitos do “tarifaço” imposto pelos EUA a produtos nacionais, além de ampliar a cooperação em minerais críticos e terras raras, área em que o Brasil detém reservas significativas. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que tem liderado parte das negociações, destacou a importância estratégica da parceria.
“Esse encontro é muito importante, porque os Estados Unidos são o terceiro parceiro comercial do Brasil, mas são o primeiro investidor no Brasil, e compram produtos de valor agregado, manufatura, avião, automóvel, motores, máquinas”, afirmou Alckmin. Ele acrescentou que há espaço para derrubar barreiras não tarifárias e atrair investimentos em áreas como big techs e data centers.
Segurança e divergências regionais
Na área de segurança, espera-se debate sobre cooperação no combate ao crime organizado transnacional e à lavagem de dinheiro. O governo Trump estuda incluir facções como PCC e Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras – medida resistida por Brasília. A situação na Venezuela e outros temas latino-americanos também devem entrar na agenda.
A visita acontece em momento de relativa distensão após uma crise diplomática recente envolvendo a prisão e soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem nos EUA, que levou a medidas recíprocas de expulsão e suspensão de credenciais de agentes. Lula tem alternado críticas a Trump – especialmente sobre o Irã – com gestos como a solidariedade após o atentado sofrido pelo presidente americano no fim de abril.
Contexto político interno
A viagem ocorre dias depois de derrotas legislativas para o governo em Brasília: o Congresso rejeitou a indicação de Jorge Messias (Bessias) para o Supremo Tribunal Federal e derrubou o veto presidencial ao PL da Dosimetria. Para o Planalto, a agenda internacional serve como contraponto, projetando o presidente em um cenário de maior estabilidade externa.
A comitiva técnica brasileira já viaja nesta terça-feira (5) para preparar o encontro. Lula deve retornar a Brasília na sexta (8). O Departamento de Estado americano ainda não se manifestou oficialmente sobre os detalhes da agenda.
A reunião marca o terceiro encontro presencial entre Lula e Trump desde o início do segundo mandato do republicano e ocorre em um cenário internacional volátil, com Trump prestes a viajar para Pequim. Para a diplomacia brasileira, o diálogo “olho no olho”, como definido pelo próprio Lula após a conversa telefônica de janeiro, é visto como essencial para preservar os interesses econômicos bilaterais.


