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LOS ANGELES – Promotores americanos afirmam que o homem acusado de provocar o incêndio de Palisades, um dos mais destrutivos da história da Califórnia, estava “com raiva do mundo” na véspera do Ano Novo, frustrado por não ter planos para a festa e ressentido com os ricos e o capitalismo.
Jonathan Rinderknecht, de 29 anos, nega a acusação. Ele responde a processo por ter iniciado o incêndio que, segundo as autoridades, começou em 1º de janeiro de 2025, permaneceu latente por uma semana e ressurgiu com força em 7 de janeiro, devastando bairros de Pacific Palisades e Malibu e deixando 12 mortos.
De acordo com um memorando pré-julgamento apresentado em 29 de abril pelo Escritório do Procurador Federal, testemunhas relataram que Rinderknecht dirigia de forma errática enquanto trabalhava como motorista de Uber na região de Palisades na noite de Ano Novo. Passageiros o descreveram como “irritado, intenso” e o ouviram “desabafar que estava ‘p* da vida com o mundo’”.
Ainda segundo os promotores, o réu falou com passageiros sobre Luigi Mangione — acusado de assassinar o CEO da UnitedHealthcare —, criticou o capitalismo e fez apologia ao vigilantismo (“fazer justiça com como próprias mãos”). Em interrogatório com investigadores em 24 de janeiro, Rinderknecht teria dito que alguém poderia atear fogo na região “por ressentimento contra os ricos, que desfrutam seu dinheiro enquanto ‘nós basicamente somos escravizados por eles’”.
Os documentos também mencionam que o acusado estava abalado por um relacionamento recente que terminou mal e frustrado por não ter conseguido fazer planos para a virada do ano.
O julgamento de Rinderknecht está marcado para começar em 8 de junho. Ele se declarou inocente.
Defesa rebate e acusa bombeiros
Os advogados de defesa sustentam que Rinderknecht está sendo usado como bode expiatório pela suposta falha do Corpo de Bombeiros de Los Angeles (LAFD) em extinguir completamente o incêndio inicial.
“Meu cliente mantém sua inocência, como tem feito desde o início, e aguardamos ansiosos para limpar seu nome no tribunal”, afirmou o advogado Steve Haney em comunicado. “A suposta motivação de que ele teria iniciado o fogo porque não tinha um encontro para o Ano Novo fala por si só.”
Haney realizou coletiva de imprensa em março para pedir a soltura do réu. Ele citou depoimento de um bombeiro, obtido em processo judicial movido por vítimas contra a prefeitura, no qual o profissional afirmou ter visto o solo ainda fumegando e comunicado a existência de focos quentes a um superior. Um chefe de batalhão, porém, declarou ter percorrido quatro vezes o perímetro e garantido que todos os pontos quentes estavam extintos.
O chefe do Corpo de Bombeiros, Jaime Moore, nomeado em outubro, manifestou preocupação com as contradições nos depoimentos dos bombeiros e determinou a realização de um relatório independente sobre o manejo do incêndio de 1º de janeiro.
O caso expõe não apenas a acusação contra Rinderknecht, mas também questionamentos sobre a atuação dos bombeiros na contenção inicial do fogo que se transformou em uma das maiores tragédias da Califórnia nos últimos anos.


