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Atlanta, 6 de maio de 2026 – Ted Turner, o magnata da mídia que revolucionou o jornalismo mundial ao criar a primeira rede de notícias 24 horas do planeta, a CNN, morreu nesta quarta-feira aos 87 anos, em sua residência próxima a Tallahassee, na Flórida.
Embora a família e a CNN não tenham divulgado uma causa imediata da morte, fontes próximas indicam que o óbito está relacionado ao avanço da demência por corpos de Lewy (Lewy Body Dementia), doença neurodegenerativa progressiva e incurável diagnosticada em Turner em 2018 — a mesma que afetou o ator Robin Williams.
Diagnosticada há quase oito anos, a condição combinava sintomas de Alzheimer e Parkinson, causando perda de memória, exaustão extrema, problemas motores e, em fases avançadas, complicações como dificuldade de deglutição e maior suscetibilidade a infecções, como a pneumonia que o levou à hospitalização em janeiro de 2025.
Nascido em 1938, Robert Edward Turner III construiu um império a partir da pequena empresa de publicidade do pai. Em 1º de junho de 1980, lançou a CNN de Atlanta contra o ceticismo geral da indústria, que duvidava da existência de notícias suficientes para preencher um ciclo contínuo.
A aposta deu certo. A CNN não apenas sobreviveu como definiu o padrão do jornalismo em tempo real, influenciando coberturas históricas como a Guerra do Golfo, o 11 de Setembro e as eleições americanas. Turner expandiu seu grupo com canais como TNT, Cartoon Network e Turner Classic Movies, além de ter sido dono do time de beisebol Atlanta Braves.
Além dos negócios, Turner foi um dos maiores filantropos ambientais dos Estados Unidos. Doou mais de US$ 1 bilhão para causas como controle populacional, preservação de terras e combate às armas nucleares. Era proprietário de cerca de 2 milhões de acres de terra, grande parte convertida em reservas naturais.
Personalidade controversa
Conhecido como “Captain Outrageous”, Turner tinha temperamento explosivo, falas diretas e posições progressistas muitas vezes polêmicas. Defendia o controle de natalidade global e criticava excessos do capitalismo, o que lhe rendeu tanto admiradores quanto detratores.
Nos últimos anos, a demência por corpos de Lewy limitou gradualmente sua vida pública. Em 2018, ao revelar o diagnóstico em entrevista ao CBS Sunday Morning, ele minimizou os sintomas, comparando-os a “um caso leve de Alzheimer”. Com o tempo, a doença avançou, forçando-o a reduzir atividades.
A morte de Turner marca o fim de uma era na mídia. O homem que inventou o noticiário ininterrupto deixa um legado: o jornalismo mais rápido e globalizado da história, mas também o início da era da informação constante, com seus desafios de velocidade, sensacionalismo e polarização.
A CNN, rede que ele fundou, deve dedicar cobertura especial ao longo das próximas horas.


