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Washington, 6 de maio de 2026 – A administração de Donald Trump decidiu encerrar o polêmico programa de treinamento acelerado usado para formar milhares de novos agentes da Immigration and Customs Enforcement (ICE), a agência federal responsável por prisões e deportações de imigrantes em situação irregular.
De acordo com fontes da própria administração, o Departamento de Segurança Interna (DHS) vai abandonar o modelo de “fast-track”, que reduzia a formação básica para cerca de seis a oito semanas, e passará a enviar agentes veteranos para os escritórios de campo com o objetivo de oferecer treinamento adicional aos recrutas contratados nos últimos meses.
O treinamento complementar ainda está em fase de finalização e pode sofrer ajustes, segundo duas fontes da administração e uma pessoa próxima à agência, que falaram sob condição de anonimato.
A mudança representa um recuo na estratégia dura de imigração adotada no início do segundo mandato de Trump. No ano passado, com recursos aprovados pelo Congresso dominado pelos republicanos, a ICE contratou milhares de novos agentes em ritmo acelerado. O treinamento foi encurtado de 72 dias (cerca de 584 horas) para aproximadamente 42 dias (336 horas), com redução significativa em disciplinas como uso da força, direitos constitucionais, detenções legais e limites de autoridade.
Ex-instrutores e denunciantes, incluindo o ex-instrutor Ryan Schwank, classificaram o programa reduzido como “deficiente, defeituoso e quebrado”. Documentos internos revelados em audiências no Congresso mostraram o corte de mais de 240 horas de aulas essenciais.
Diante da repercussão negativa, da queda de popularidade da ICE e de críticas bipartidárias no Capitólio, a administração optou por corrigir o curso. Agentes veteranos certificados serão destacados para atuar como mentores em tempo integral nos escritórios regionais, com o objetivo de padronizar o treinamento em todo o país.
“Estamos realmente fazendo algo bom aqui. A ICE está levando isso a sério, não é apenas conversa”, disse um oficial da administração ao Politico.
O DHS nega que tenha reduzido padrões de treinamento. Em comunicado divulgado em fevereiro, a agência afirmou que os novos recrutas recebem 56 dias de formação inicial e, em média, 28 dias de treinamento prático, com carga horária ampliada de cinco para seis dias por semana. Segundo o porta-voz, o treinamento não termina na academia e continua com “rigoroso acompanhamento” em serviço.
No entanto, a decisão de reforçar a capacitação com veteranos indica que o governo reconhece a necessidade de ajustes, especialmente após negociações com parlamentares durante as discussões sobre o orçamento do DHS.
A alteração faz parte de uma série de recalibragens na política migratória do governo Trump após o forte desgaste político causado pela intensificação das deportações. Nas últimas semanas, a Casa Branca também suavizou o tom retórico sobre imigração e promoveu mudanças na liderança da agência, após a saída da ex-secretária do DHS, Kristi Noem.
A medida pode amenizar críticas de democratas e de alguns republicanos moderados, que vinham questionando a qualidade da formação dos novos agentes. Ainda assim, não houve acordo para transformar a exigência de treinamento adicional em lei, como defendiam os democratas.
O caso expõe os desafios logísticos de uma das promessas centrais da campanha de Trump: a maior operação de deportação da história americana. Após meses de expansão acelerada, o governo agora busca equilibrar velocidade com qualidade no treinamento de seus agentes.


