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Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu reenviar ao Senado o nome de Jorge Messias, conhecido como “Bessias”, para a vaga no Supremo Tribunal Federal. A informação, confirmada por auxiliares diretos, revela não apenas teimosia, mas uma clara fragilidade política do governo. Menos de três semanas após sofrer a primeira rejeição de um indicado ao STF desde o Império, Lula opta por insistir num nome visto pela maioria do Congresso como um operador político leal, um “pau-mandado” do Planalto.
A escolha é reveladora. Messias nunca foi considerado um jurista de primeiro escalão. Sua principal credencial é a fidelidade ao PT e ao presidente. Ao insistir nele, Lula demonstra que prefere controlar o Supremo a prestigiar a Corte com um nome de real envergadura técnica e independência. É a lógica do aparelhamento, não da qualificação.
O Senado já rejeitou o nome por 42 a 34. Reenviar o mesmo candidato é um gesto de confronto desnecessário. Expõe a dificuldade do governo em construir maioria qualificada mesmo com a base aliada inflada por ministérios e emendas. Senadores do centrão e até alguns petistas admitem, em conversas reservadas, que aprovar “Bessias” agora seria humilhante para a Casa. A rejeição anterior não foi um acidente: foi um recado de que o Senado não aceitará ser mero carimbo do Executivo.
Lula transforma uma indicação técnica numa questão de autoridade pessoal. Com 80 anos e mandato até 2026, o presidente age como se ainda estivesse no auge de 2006, quando dominava o jogo político. A realidade é outra. O governo patina, a economia dá sinais de fraqueza e o Judiciário, especialmente o STF, já acumula desgaste público.
Insistir em Messias não fortalece Lula. Ao contrário: expõe a mediocridade do critério que vem guiando suas indicações para as altas cortes. Um presidente que se diz estadista não pode tratar o Supremo como extensão do gabinete. O que falta não é seriedade no Senado. O que falta é seriedade na escolha de quem vai interpretar a Constituição pelos próximos 20 anos.


