JSNEWS
Washington — A intensificação das ações de deportação da administração Trump está gerando um efeito colateral significativo na arrecadação federal: uma forte redução na declaração voluntária de impostos por imigrantes indocumentados, o que pode levar a perdas entre US$ 147 bilhões e US$ 479 bilhões em receita nos próximos dez anos (2026-2035), segundo projeções do Yale Budget Lab.
O receio de deportação aumentou após o acordo de compartilhamento de dados entre a Receita Federal (IRS) e o Departamento de Segurança Interna (ICE), firmado em 2025. Embora tribunais federais tenham emitido liminares parciais restringindo ou bloqueando o uso dessas informações, o temor persiste entre muitos contribuintes. Além disso, mudanças na lei tributária eliminaram a elegibilidade de pais indocumentados ao Child Tax Credit, mesmo quando os filhos são cidadãos americanos — medida que pode afetar até 2,7 milhões de crianças, conforme análises do Institute on Taxation and Economic Policy (ITEP) e do Urban-Brookings Tax Policy Center.
De acordo com o ITEP, os imigrantes indocumentados contribuíram com US$ 96,7 bilhões em impostos federais, estaduais e locais em 2022. Historicamente, cerca de 50% das famílias nessa condição declaravam imposto de renda, utilizando o ITIN (Individual Taxpayer Identification Number), número criado justamente para incentivar a conformidade fiscal. O sistema tradicionalmente garantia confidencialidade para encorajar a participação, mas o acordo IRS-ICE quebrou essa confiança, segundo o Yale Budget Lab.
Tax advisers que atuam em comunidades latinas relatam quedas expressivas no número de declarações nesta temporada. Escritórios especializados observam reduções entre 30% e 75% em alguns casos, especialmente em regiões com alta concentração de imigrantes. Muitos optam por não declarar ou migram para atividades informais, o que reduz ainda mais a arrecadação.
O Yale Budget Lab estima que uma queda na conformidade voluntária pode representar perdas anuais significativas, com projeção central em torno de US$ 313 bilhões ao longo da década. Uma redução de apenas 1% na conformidade geral já geraria prejuízo de cerca de US$ 46 bilhões por ano, segundo estimativas históricas da própria IRS.
Especialistas do National Immigration Law Center e do Urban Institute alertam que a política prejudica principalmente as crianças americanas e enfraquece a arrecadação federal no longo prazo, ao desestimular a integração econômica de milhões de trabalhadores que, apesar de sem status legal, historicamente cumpriam obrigações fiscais.
Até o momento, não há dados oficiais consolidados da IRS sobre o impacto exato nesta temporada, mas as projeções independentes indicam um risco concreto para as contas públicas. A administração Trump ainda não se manifestou sobre as estimativas de perda fiscal.


