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Washington – A administração do presidente Donald Trump completou, na sexta-feira, 15, um ano inteiro de “zero releases” — sem liberar nenhum imigrante ilegal diretamente da custódia da Patrulha Fronteiriça (Border Patrol) para o interior dos Estados Unidos. O marco representa o fim definitivo da política de “catch and release” (pegar e soltar), que alimentou a maior crise migratória da história americana fomentada nos anos de administração Democrata.
No Brasil, esse esquema ficou popularmente conhecido como “cai-cai”: o imigrante cruzava ilegalmente a fronteira pelo México e se entregava voluntariamente à Border Patrol logo após a travessia, contando com a liberação quase automática para circular pelo país enquanto aguardava o processo de imigração.
A rota foi amplamente explorada por redes de traficantes de pessoas brasileiras, que transformaram o “cai-cai” em um negócio altamente lucrativo. Esses coiotes cobravam entre US$ 8 mil e US$ 15 mil por pessoa, organizando viagens em série e incentivando a migração em massa com a promessa de entrada fácil nos Estados Unidos.
Grande parte dos que recorriam ao “cai-cai” entrava pedindo asilo, mas com falta relativa de boa-fé. O sistema de asilo americano exige prova concreta de perseguição por raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opinião política. Ele não abrange imigração econômica, que era o principal motivador da maioria dos brasileiros que utilizavam essa rota. A facilidade de ser liberado após a entrega estimulava pedidos de asilo que, na prática, funcionavam como atalho para permanência ilegal por motivos econômicos.
Fim do modelo

Em comunicado oficial, a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) informou que, em abril de 2026, foram registradas apenas 8.943 apreensões em toda a fronteira sudoeste — queda de 94% em relação à média mensal da era Biden e 96% abaixo do pico de dezembro de 2023.
A média diária despencou para 298 apreensões, número inferior ao que se registrava em uma única hora no auge da crise anterior. No acumulado do ano fiscal, o total de encontros é de 215.876.
“O dias do catch and release acabaram. Estamos aplicando as leis do país e enviando os imigrantes ilegais de volta para seus países de origem”, afirmou o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin.
O comissário da CBP, Rodney S. Scott, reforçou: “A Patrulha Fronteiriça liberou zero imigrantes ilegais novamente este mês, ao contrário de abril de 2024, quando mais de 68 mil foram soltos”.
As autoridades também registraram aumento de 60% nas apreensões de drogas, com 463 libras de fentanil confiscadas só em abril.
Com a política de zero liberações, o “cai-cai” praticamente deixou de existir como rota viável. Quem é detido hoje permanece sob custódia, enfrenta deportação expedita e tem o pedido de asilo submetido a análise muito mais rigorosa.
Aaron Reichlin-Melnick, analista sênior do American Immigration Council, reconhece que as medidas duras produziram resultados concretos na redução das travessias, mas critica o que considera um fechamento excessivo do acesso ao asilo. “A administração Trump enviou ao mundo a mensagem de que os Estados Unidos não são mais um lugar onde as pessoas podem buscar segurança”, disse.
A Casa Branca e o Departamento de Segurança Interna (DHS) sustentam que a forte queda nas travessias ilegais comprova a eficácia das novas políticas após anos de descontrole na gestão anterior.
Para milhares de brasileiros que alimentavam o esquema dos traficantes, o recado é claro: o tempo do “cai-cai” acabou.
Fontes citadas:
- Trump administration delivers a full year of zero releases at the border: https://www.cbp.gov/newsroom/national-media-release/trump-administration-delivers-full-year-zero-releases-border
-
Southwest Land Border Encounters: https://www.cbp.gov/newsroom/stats/southwest-land-border-encounters


