Tiago Prado: Vou ser direto: quando escrevi Sete Passos para Ser Rico nos EUA, não escrevi para o mercado editorial. Escrevi para o empresário imigrante que fatura bem, trabalha demais e ainda não consegue entender por que o dinheiro não sobra no fi m do mês. Escrevi para quem chegou nos Estados Unidos com coragem e garra, mas sem um mapa. O Brasil reconheceu isso antes de qualquer um.
O livro entrou entre os mais vendidos do país — 3° lugar em Autoajuda e Esoterismo pela Veja, 5° em Não Ficção e 7° no ranking geral do BookInfo. Prefácio de Alfredo Soares, publicado pela Editora Gente. Não é um número pequeno para um livro que fala, essencialmente, sobre construir negócios nos Estados Unidos. Mas o que me interessa não é o ranking.
O que me interessa é o que esse número representa: existe uma comunidade enorme de brasileiros no exterior que está faminta por orientação real, não por motivação barata.
Vamos falar sério. O ecossistema de conteúdo para empreendedores imigrantes nos EUA é cheio de ruído. Tem muitos gurus vendendo lifestyle e poucos especialistas falando sobre o que realmente importa: margem, estrutura, fluxo de caixa e a diferença entre ter um negócio e ter um emprego disfarçado de CNPJ. O livro existe para preencher esse vácuo.
Os sete passos não são uma fórmula mágica. É um diagnóstico honesto do que separa o empresário que cresce com consistência do que fica preso no ciclo de trabalhar mais para ganhar o mesmo.
O primeiro passo começa com uma pergunta incômoda: se você saísse de férias por três meses sem celular, a sua empresa continuaria funcionando? A maioria dos donos de negócio que conheço responderia “não”. E essa resposta é o ponto de partida de tudo.
A comunidade empreendedora brasileira nos EUA movimenta bilhões de dólares por ano. São mais de 1,8 milhão de brasileiros vivendo nos Estados Unidos, e uma parcela significativa deles opera algum tipo de negócio, de empresas de limpeza e construção civil a clínicas, consultorias e negócios de tecnologia. Esse mercado cresce, mas cresce sem estrutura. E negócio sem estrutura não é ativo, é passivo disfarçado. É por isso que o livro importa além das listas de mais vendidos.
Ele chega num momento em que a Economia em K está separando com velocidade crescente quem opera com clareza de quem opera no improviso. Num mercado de trabalho americano mais frágil e competitivo, a diferença entre os dois grupos não é esforço. É método.
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