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Juízes de imigração nos Estados Unidos estão agora conduzindo dezenas — e por vezes mais de cem — casos numa única audiência preliminar, gerando sérias preocupações sobre o devido processo legal e a justiça, alertam advogados e ex-juízes.
A nova prática, introduzida nas últimas semanas pela administração Trump, visa reduzir o enorme acúmulo de processos nos tribunais de imigração. No entanto, críticos afirmam que ela está resultando em decisões apressadas, audiências perdidas e um forte aumento nas ordens de deportação emitidas na ausência dos envolvidos.
Em Chicago, na ultima segunda-feira, um juiz teria sido escalado para analisar até 150 casos numa única sessão, segundo Carla I. Espinoza, ex-juíza de imigração. “Isso é inédito”, disse ela à Univision. “Nenhum juiz consegue fazer isso de forma adequada respeitando o devido processo legal.”
Audiências em massa — conhecidas como *master calendar hearings* — também foram registradas em Indianápolis e outras cidades. Grupos de 30 a mais de 100 imigrantes são convocados ao mesmo tempo, com muitos participando por videoconferência. Cada caso individual costuma ser resolvido em poucos minutos.
Salas vazias e ordens de deportação
Em San Antonio, no Texas, o quadro foi ainda mais evidente. Na terça-feira, os tribunais convocaram quase 300 pessoas perante três juízes. Numa única sala, havia uma lista com 96 nomes — mas apenas 10 pessoas compareceram. Aqueles que não apareceram receberam automaticamente ordens de deportação.
O padrão se repete em todo o país. Dados do Executive Office for Immigration Review (EOIR) mostram um aumento dramático nas ordens de deportação emitidas na ausência: de cerca de 19 mil para solicitantes de asilo em 2024 para mais de 50 mil em 2025. Apenas nos primeiros meses de 2026, o número já ultrapassou 48 mil.
Muitos imigrantes afirmam que receberam pouca ou nenhuma notificação sobre as novas datas. Outros simplesmente têm medo de comparecer.
Medo de prisão e falta de advogados
Imigrantes e defensores dos direitos humanos apontam o medo generalizado de agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) nas proximidades dos tribunais. Embora o governo afirme que prisões dentro dos tribunais não são política oficial, incidentes passados geraram profunda desconfiança.
Outro problema grave é a falta de representação legal. Em algumas regiões, até 80% dos imigrantes comparecem sem advogado, o que torna extremamente difícil navegar num sistema que muda com rapidez.
A administração Trump transformou a aceleração das deportações numa prioridade central. Ao agrupar grande número de casos, as autoridades esperam processar os pedidos mais rapidamente e reduzir o enorme backlog de mais de três milhões de processos pendentes.
No entanto, advogados de imigração alertam que a velocidade está sendo obtida à custa da justiça.
As mudanças afetam tanto recém-chegados quanto residentes de longa data, incluindo famílias com filhos nascidos nos Estados Unidos que temem retornar a países de onde fugiram por causa de violência ou perseguição.


