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Washington – A poucas horas do início da Copa do Mundo de 2026, os Estados Unidos retiraram a cota de ingressos destinada aos torcedores da seleção do Irã, deixando a federação iraniana impossibilitada de distribuir qualquer bilhete oficial para os jogos da fase de grupos. A informação foi confirmada nesta terça-feira (9) pela própria Federação de Futebol do Irã (FFIRI).
A medida atinge a cota tradicional de cerca de 8% dos ingressos reservada às federações participantes para distribuição a seus torcedores. Segundo o comunicado iraniano, a alocação foi revogada de forma “inesperada” pelos organizadores americanos, mesmo após o início da venda de bilhetes. Muitos torcedores já haviam comprado passagens aéreas e feito reservas de hospedagem.
Os três jogos do Irã na primeira fase — contra Nova Zelândia (15 de junho, no SoFi Stadium, em Los Angeles), e as outras partidas em Seattle — serão realizados em território americano, mas sem a presença oficial de sua torcida organizada.
Motivos alegados pelos EUA
Fontes do governo americano ligam a decisão a questões de segurança nacional, no contexto das tensões diplomáticas e do conflito recente envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Autoridades dos EUA, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, afirmaram que o país não permitirá a entrada de indivíduos com possíveis ligações à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), classificada como organização terrorista por Washington.
Embora jogadores e parte da comissão técnica tenham recebido vistos, o Departamento de Estado reforçou que não abrirá exceções para grandes contingentes de torcedores iranianos, citando riscos de “infiltração” e a necessidade de proteger o evento. A revogação da cota de ingressos é vista como extensão dessa política restritiva de vistos e imigração adotada pelo governo Trump.
Reação do Irã
A FFIRI classificou a decisão como “contrária ao espírito das competições internacionais e ao princípio de igualdade entre os países participantes”. Em nota, a federação acusou os EUA de interferência política no esporte e informou que já havia iniciado a distribuição de ingressos, o que agora se torna impossível.
“Privar os torcedores iranianos de seu direito legítimo é um ato discriminatório”, disse a entidade, que pediu intervenção urgente da FIFA. O Irã também criticou o tratamento dado à delegação: a seleção está concentrada em Tijuana, no México, e só poderá entrar nos EUA nos dias dos jogos, devendo deixar o país no mesmo dia.
Posição da FIFA
Até o momento, a FIFA não emitiu pronunciamento específico sobre a revogação da cota de ingressos. A entidade tem reiterado que a participação do Irã na Copa está garantida e que acompanha de perto as questões logísticas e de vistos. A FIFA já descartou a transferência dos jogos do Irã para o México, mantendo as partidas em solo americano conforme o calendário oficial.
A polêmica se soma a uma série de atritos diplomáticos que cercam a presença iraniana no torneio, realizado em conjunto por EUA, Canadá e México. Com o pontapé inicial marcado para esta quinta-feira (11), o caso coloca em evidência os limites entre esporte, política e segurança em um evento global.
Com informações da Associated Press, Al Jazeera, BBC e federações envolvidas.


