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Washington, 10 de junho de 2026: A Fifa corre o risco de perder o controle efetivo de sua própria Copa do Mundo. O episódio do árbitro somali Omar Artan, impedido de entrar nos Estados Unidos apesar de possuir visto válido e ser membro oficial da comissão de arbitragem, tornou-se o mais recente símbolo da tensão entre o torneio e as rigorosas políticas de imigração americanas.
Considerado o principal árbitro da África, Artan foi detido durante 11 horas pela imigração dos EUA ao chegar a Miami, onde se reuniria com os outros 51 juízes convocados para a Copa do Mundo de 2026. Ao final do interrogatório, foi colocado de volta no avião e devolvido a Mogadíscio, na Somália. Ele seria o primeiro árbitro somali a participar de uma Copa do Mundo.
O caso expõe uma contradição incômoda para a entidade máxima do futebol. Enquanto a Fifa celebra a realização do torneio em três países (Estados Unidos, Canadá e México) e busca projetar uma imagem de harmonia global, a administração Trump impõe barreiras que atingem até mesmo profissionais credenciados pela própria Fifa.
Fontes próximas à entidade admitem em privado desconforto com a situação, mas até o momento a Fifa manteve posição oficial discreta, evitando confrontos diretos com as autoridades americanas. Críticos lembram que, em ocasiões anteriores, a entidade não hesitou em punir países que impuseram restrições semelhantes — como a Indonésia, que perdeu o direito de sediar competições juvenis por recusar a entrada de israelenses.
O episódio de Artan reforça a percepção de que a Fifa, sob a liderança de Gianni Infantino, encontra-se em posição delicada: dependente da boa vontade de governos nacionais que, em última análise, controlam as fronteiras. Com a proximidade da Copa — o maior evento esportivo do planeta —, cresce a preocupação de que problemas semelhantes possam se repetir com jogadores, comissões técnicas e até torcedores de nações consideradas de alto risco migratório pelos EUA.
Por enquanto, o caso serve como alerta: mesmo os protagonistas do espetáculo estão sujeitos às regras de um jogo que a Fifa já não parece comandar completamente.


