JUNOT
Boston, 06 de Julho de 2026 – O avanço de candidatos autodenominados socialistas nas primárias democratas não é mais um fenômeno periférico. Três nomes apoiados pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani — Brad Lander, Claire Valdez e Darializa Avila Chevalier — derrotaram adversários do establishment e conquistaram indicações para o Congresso. Em Colorado, a socialista de 29 anos Melat Kiros superou uma veterana de quase três décadas na Câmara.
Pesquisas do Heartland Institute em parceria com a Rasmussen Reports, realizadas em 2025, revelam a dimensão do fenômeno. Entre eleitores de 18 a 39 anos, 51% a 53% dizem querer um presidente socialista democrático em 2028. Cerca de 76% apoiam o confisco e a estatização de indústrias estratégicas. Mesmo entre jovens que votaram em Donald Trump, mais de um quarto declararam preferir essa opção.
O problema dessa leitura não está apenas na ignorância histórica sobre os fracassos repetidos do socialismo real. Está na redução deliberada e empobrecedora do Sonho Americano a uma mera questão de consumo e conforto material. Essa distorção não é inocente: ela serve perfeitamente à narrativa marxista, que sempre priorizou a base material acima de tudo.
O que sempre distinguiu o ideal americano não foi a garantia de bens tangíveis, mas a liberdade de autoderminação: a capacidade real de o indivíduo escolher seu próprio caminho, arriscar, errar, aprender e colher os frutos — ou arcar com as consequências — sem a tutela permanente do Estado ou de castas burocráticas. Essa liberdade tem um preço: desigualdade natural, risco de fracasso e responsabilidade individual. É exatamente esse preço que o socialismo promete eliminar.
Países com forte intervenção estatal podem, em certos momentos, entregar níveis elevados de conforto material. A China contemporânea é o exemplo mais claro e atual: crescimento econômico impressionante, infraestrutura moderna e ascensão de milhões à classe média. O que ela não entrega — e jamais pretendeu entregar — é liberdade real de escolha e responsabilidade individual. O progresso chinês não nasceu de uma sociedade livre; nasceu de um Estado que direciona, controla, vigia e pune quem sai da linha. É prosperidade sem dignidade plena.
Quando o Sonho Americano é esvaziado de seu componente essencial — a liberdade de escolher e de pagar o preço das próprias escolhas —, ele se transforma em mera promessa de bem-estar administrado. E é exatamente essa versão empobrecida, materialista e tutelada que os jovens estão sendo ensinados a desejar nas universidades, nas redes sociais e em parte da mídia. A atração pelo socialismo, nesse sentido, não reflete apenas frustração econômica passageira. Reflete a perda cultural da compreensão de que a prosperidade sustentável foi, ao longo da história, consequência de uma sociedade que valorizava a liberdade acima da segurança material prometida por terceiros.
Os dados das pesquisas são claros e inquietantes. Quando mais da metade dos jovens em idade de votar prefere um modelo que historicamente concentrou poder, reduziu escolhas individuais e transformou cidadãos em dependentes do Estado, não estamos diante apenas de insatisfação econômica. Estamos diante de uma geração que está sendo convencida de que trocar liberdade por segurança material é não apenas aceitável, mas desejável — quase um ato de justiça.
O verdadeiro desafio não está em repetir o mantra de que “o socialismo não funciona”. Isso já foi provado inúmeras vezes. O desafio é recuperar, para essa geração, a compreensão de que o Sonho Americano nunca foi apenas sobre ter coisas. Foi sobre ter o direito — e a coragem — de construí-las (ou não) conforme a própria visão de vida, sem que um poder central decida o que é aceitável ou suficiente. Enquanto essa distinção não for feita com clareza e sem concessões, o socialismo continuará


