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Washington 16, de Junho de 2026 – O secretário de Estado americano, Marco Rubio, foi direto ao justificar a decisão dos Estados Unidos de impor tarifa de 25% sobre a maior parte das importações brasileiras. Segundo Rubio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou “o próprio ego à frente de um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro”.
A declaração foi feita nesta quinta-feira (16) após o governo Trump anunciar a medida, que entra em vigor na próxima semana. O texto da tarifa baseia-se em investigação de um ano conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), sob a Seção 301 da lei comercial americana.
De acordo com o relatório americano, o Brasil mantém tarifas médias significativamente mais altas que as dos Estados Unidos — cerca de 12% contra 3%. Entre os pontos destacados estão alíquotas elevadas sobre etanol (18% contra 2,5% americano), veículos (até 35%) e preferências tarifárias concedidas a outros países, como México e Índia, que prejudicam exportadores americanos. A investigação também apontou barreiras em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, proteção de propriedade intelectual e questões relacionadas a anticorrupção e desmatamento.
Fontes da administração americana afirmam que, durante os últimos doze meses, o governo brasileiro não apresentou contrapropostas concretas para resolver esses pontos, apesar de sucessivas rodadas de conversa. É nesse contexto que Rubio afirmou que o Brasil “não negociou de boa-fé”.
Contexto mais amplo
Especialistas em relações Brasil-Estados Unidos observam que o impasse comercial ocorre em meio a divergências políticas mais amplas. O governo Lula tem mantido posições internacionais que geram desconforto em Washington: forte alinhamento com a Rússia no conflito da Ucrânia, críticas recorrentes à política de Israel e relações próximas com o Irã. Em alguns momentos, o próprio presidente brasileiro manifestou posições consideradas excessivamente favoráveis aos terroristas do Hamas.
Esses posicionamentos, segundo analistas, contribuíram para reduzir a disposição americana de buscar um entendimento comercial mais amplo. Do lado brasileiro, o governo classifica as tarifas como “unilaterais” e “sem justificativa”, atribuindo a medida a motivações políticas ligadas ao calendário eleitoral de outubro.
Até o momento, o Itamaraty não anunciou medidas retaliatórias, mas confirmou que vai continuar dialogando. A tarifa americana deve afetar especialmente setores como indústria, agricultura processada e manufaturados, com estimativas preliminares indicando impacto significativo nas exportações brasileiras para os Estados Unidos.


