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Washington e Teerã, 15 de julho de 2026 — As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram nesta quarta-feira uma nova série de ataques contra alvos militares iranianos, marcando mais uma escalada na crise no Estreito de Ormuz. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que conduziu uma onda de 90 minutos de ataques aéreos e com mísseis de precisão contra instalações costeiras e capacidades marítimas iranianas. O objetivo declarado é “degradar ainda mais a capacidade do Irã de atacar navios comerciais”.
Paralelamente, o Irã renovou ameaças de bloquear a passagem de embarcações no Estreito de Ormuz — uma das rotas mais críticas do mundo para o transporte de petróleo — e o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou ter lançado ataques retaliatórios contra bases militares americanas no Bahrein, Kuwait e Jordânia.
De acordo com comunicados do CENTCOM, os ataques desta manhã (horário local) visaram sistemas de defesa costeira, locais de mísseis e drones e infraestruturas marítimas iranianas em áreas como Bandar Abbas, Jask e outras localidades do sul do país. Trata-se da mais recente de uma série de operações que se intensificaram após o colapso do cessar-fogo de junho.
Nos dias anteriores, os EUA já haviam realizado ondas de ataques em 12, 13 e 14 de julho, atingindo dezenas de alvos com mísseis de precisão e aeronaves. O presidente Donald Trump notificou o Congresso americano sobre a retomada das operações militares, ativando o relógio de 60 dias previsto pela War Powers Resolution.
Resposta iraniana
O IRGC divulgou, por meio de veículos estatais iranianos como a IRNA e o Sepah News, que realizou ataques com mísseis e drones contra instalações americanas na região do Golfo. As alegações incluem:
- Base aérea Príncipe Hassan, na Jordânia;
- Centro de comando de drones e base naval Sheikh Isa, no Bahrein;
- Base aérea Ali Al Salem e outras instalações no Kuwait.
O IRGC afirmou ter destruído ou danificado hangares, depósitos de combustível, sistemas de radar e outros alvos. Imagens de satélite divulgadas pela mídia iraniana mostram supostos danos em instalações na região, embora os EUA e aliados tenham relatado que a maioria das ameaças foi interceptada, com danos limitados e sem vítimas fatais confirmadas do lado americano.
Teerã também ameaçou fechar o Estreito de Ormuz e outras rotas energéticas (incluindo oleodutos nos Emirados Árabes e Arábia Saudita) caso as hostilidades americanas continuem, repetindo a retórica de que “as exportações de energia serão para todos ou para ninguém”.
Contexto da crise
A atual escalada faz parte da guerra Irã-EUA de 2026, que teve início em fevereiro após falhas em negociações nucleares e ataques iniciais. Um cessar-fogo frágil foi acordado em junho, mas ruiu no início de julho após o Irã atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz.
Os EUA acusam o Irã de tentar controlar a navegação na via estratégica para impor taxas ou rotas favoráveis. O Irã nega e afirma reagir a bloqueios navais e ataques americanos. Apenas 17 navios comerciais transitaram pelo estreito no dia anterior aos ataques mais recentes, segundo dados de tráfego marítimo.
A crise afeta diretamente o comércio global de energia e gera preocupação com o preço do petróleo. Países do Golfo, como Kuwait, Bahrein e Jordânia, condenaram os ataques iranianos, enquanto os EUA mantêm presença naval reforçada na região.
Até o momento, não há indícios de envolvimento direto de Israel ou de outros atores além dos confrontos bilaterais EUA-Irã e suas proxies.
A situação permanece volátil, com ambos os lados trocando acusações e mantendo operações militares. Analistas internacionais alertam para o risco de miscalculation em uma das rotas marítimas mais sensíveis do planeta.


