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O golpe conhecido internacionalmente como “Phantom Hacker”, ou falso suporte técnico, gerou mais de US$ 2,1 bilhões em prejuízos nos Estados Unidos apenas em 2025, segundo dados do FBI. Cerca de metade das vítimas e do valor total perdido correspondia a pessoas com 60 anos ou mais. A fraude, que explora medo e senso de urgência, continua a se espalhar e encontra no Brasil um ambiente particularmente propício, marcado por elevado volume de tentativas e diversidade de modalidades.
O esquema costuma se desenvolver em etapas coordenadas. Inicialmente, o criminoso se apresenta como técnico de empresas como Microsoft ou Apple e alega que o dispositivo da vítima foi invadido. Em seguida, um falso representante de instituição financeira reforça a narrativa de risco. Em alguns casos, surge ainda alguém que se passa por autoridade pública. O objetivo final é convencer a pessoa a transferir recursos para uma conta apresentada como segura, mas que pertence aos fraudadores.
Especialistas em segurança digital e psicologia do crime observam que a maior parte das vítimas não apresenta baixa capacidade cognitiva. O êxito do golpe decorre principalmente da manipulação emocional. O medo de perder economias, a criação artificial de urgência e a aparência de autoridade comprometem o raciocínio crítico no momento da decisão. Mesmo pessoas com experiência no ambiente digital podem ser levadas a erro quando submetidas a forte pressão.
Nos Estados Unidos, o falso suporte técnico se destaca pelo elevado valor médio das perdas e pela forte concentração de vítimas idosas. O país conta com sistemas estruturados de denúncia, o que permite estatísticas mais precisas: mais de 47 mil reclamações relacionadas a essa modalidade foram registradas em 2025.
No Brasil, o cenário apresenta características distintas e, em diversos aspectos, mais preocupantes. Levantamentos da Global Anti-Scam Alliance indicam que cada adulto brasileiro foi alvo, em média, de mais de 200 tentativas de golpe por ano. Estimativas recentes apontam cerca de 34 bilhões de tentativas em um período de 12 meses, com prejuízos na casa dos R$ 21 bilhões. O país figura entre os dez que mais perdem parcela do Produto Interno Bruto para fraudes digitais — aproximadamente 0,8% — e ocupa posições negativas em rankings internacionais de proteção, com destaque desfavorável na América Latina.
Enquanto nos EUA o falso suporte técnico concentra grande parte das perdas de alto valor entre a população idosa, no Brasil o problema se distribui por várias modalidades e atinge faixas etárias mais amplas. A rápida digitalização dos serviços financeiros, em especial o Pix, associada ao uso intensivo de aplicativos de mensagens, amplia a superfície de exposição da população.
Além do falso suporte técnico, outras fraudes concentram volume significativo de denúncias e prejuízos no país:
- Golpes envolvendo Pix e falsa central de atendimento
Criminosos se passam por funcionários de bancos ou empresas de telecomunicações e induzem a vítima a realizar transferências ou fornecer dados sob o pretexto de regularizar contas ou bloquear operações suspeitas. - WhatsApp clonado de familiares ou conhecidos
A conta de um parente ou amigo é invadida ou clonada. O golpista solicita valores com alegações de urgência, como acidente ou problema de saúde. A identificação do golpe depende, em grande medida, da percepção de alterações no padrão habitual de conversa. - Golpes de investimento e criptomoedas
Ofertas de rentabilidade elevada e supostamente garantida, divulgadas em redes sociais ou por indicação, levam a vítima a transferir recursos para plataformas fraudulentas. - Compras online e lojas falsas
Anúncios de produtos com preços muito abaixo do mercado em redes sociais ou sites fraudulentos. Após o pagamento, a mercadoria não é entregue ou chega em desacordo com o anunciado. - Falsas ofertas de emprego ou tarefas remuneradas
Comuns entre o público mais jovem, envolvem promessas de renda extra por atividades simples, que evoluem para pedidos de pagamento antecipado ou envio de dados bancários.
Essas modalidades exploram tanto a confiança quanto a busca por soluções rápidas. Assim como no falso suporte técnico, o fator determinante raramente é a falta de inteligência da vítima, mas a combinação de urgência, aparência de legitimidade e ausência de verificação adequada.
A avaliação de especialistas é convergente: a principal linha de defesa permanece a recusa em interagir com contatos inesperados e a adoção de procedimentos rígidos. Não conceder acesso remoto, não transferir valores sob pressão e iniciar qualquer contato pelos canais oficiais das instituições reduzem significativamente o risco. No contexto brasileiro, marcado por elevado volume e diversidade de tentativas, a atenção aos padrões de comunicação e a autonomia na condução de assuntos financeiros mostram-se especialmente relevantes.


