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Nova York – Uma parcela maior de americanos ficou pelo menos 30 dias atrasada no pagamento de hipotecas no segundo trimestre de 2026 do que em qualquer outro trimestre desde 2015. No mesmo período, o número de pessoas que entraram em inadimplência grave (atraso de 90 dias ou mais) em empréstimos para automóveis atingiu o nível mais alto desde 2010. Os dados constam do Quarterly Report on Household Debt and Credit, divulgado nesta terça-feira, 11 de agosto, pelo Federal Reserve Bank of New York (Fed de Nova York).
O relatório mostra que a dívida total das famílias americanas recuou US$ 13 bilhões (0,1%) no trimestre, para US$ 18,8 trilhões. A queda, no entanto, foi impulsionada principalmente por uma redução de US$ 74 bilhões nos saldos de hipotecas, atribuída a um atraso técnico na reportagem de dados quando os contratos são transferidos entre administradores (o chamado “servicer transfer gap”). Sem esse efeito, os saldos de hipotecas teriam permanecido estáveis e a dívida total teria avançado cerca de US$ 61 bilhões.
Fora as hipotecas, a maioria das categorias de crédito aumentou. Os saldos de empréstimos para veículos subiram US$ 28 bilhões, para US$ 1,71 trilhão, com volume recorde de novas concessões (US$ 211 bilhões no trimestre). Os cartões de crédito avançaram US$ 21 bilhões, para US$ 1,26 trilhão. As linhas de crédito com garantia imobiliária (HELOC) cresceram US$ 13 bilhões, para US$ 459 bilhões – o 17º aumento trimestral consecutivo.
A taxa agregada de inadimplência (dívidas em algum estágio de atraso) melhorou ligeiramente, para 4,7% do total pendente. As taxas de transição para inadimplência precoce (30 dias ou mais) subiram de forma moderada em hipotecas e empréstimos para veículos, enquanto permaneceram estáveis em cartões de crédito. O fluxo para inadimplência grave (90 dias ou mais) ficou praticamente inalterado na maioria das categorias, com destaque para o aumento em auto loans, que passou de 2,93% no segundo trimestre de 2025 para 3,00% no mesmo período de 2026.
“As taxas de inadimplência na maioria dos produtos se mantiveram estáveis nos últimos dois anos. Ainda assim, as novas inadimplências em empréstimos para veículos e cartões de crédito permanecem em níveis elevados, uma tendência que continuaremos monitorando”, afirmou Joelle Scally, assessora de política econômica do Fed de Nova York.
Em análise complementar publicada no blog Liberty Street Economics, pesquisadores do banco central destacaram que o aumento aparente na inadimplência “estoque” de cartões de crédito (que chegou a 12,8% dos saldos com 90 dias ou mais de atraso no primeiro trimestre) reflete sobretudo a permanência prolongada de dívidas já baixadas (charged-off) nos relatórios de crédito, e não um crescimento acelerado de novos atrasos. O fluxo de novas inadimplências tem se mostrado estável desde 2024.
Economia em formato de “K”
Os pesquisadores do Fed de Nova York ressaltaram que o quadro geral continua refletindo uma economia “em formato de K”, na qual os resultados de famílias de maior renda e patrimônio divergem significativamente dos de famílias de menor renda. Muitos lares vivem de salário em salário e podem entrar em atraso diante de um único choque financeiro.
Apesar do avanço pontual nas inadimplências de hipotecas e veículos, as taxas gerais permanecem bem abaixo dos picos registrados durante a crise financeira de 2008-2009 e se estabilizaram em patamares superiores aos observados no período pré-pandemia. O relatório é elaborado com base no Consumer Credit Panel do Fed de Nova York, amostra nacionalmente representativa de dados anonimizados da Equifax.
A próxima edição do relatório, referente ao terceiro trimestre, deverá mostrar a reversão do efeito técnico nas hipotecas, o que pode alterar a leitura dos saldos totais de dívida.


