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BIDDEFORD, Maine — Na manhã de 13 de julho de 2026, por volta das 7h17, o colombiano Johan Sebastián Durán Guerrero, de 26 anos, saiu de casa no litoral do Maine para mais um dia de trabalho. Ele dirigia um Kia Rio branco registrado em nome de seu colega de quarto. Minutos depois, na interseção das ruas Pool e Hill, em Biddeford, o veículo foi cercado por agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE). Um disparo fatal encerrou a vida do jovem pai de uma menina de 3 anos.
Durán Guerrero não era, segundo as informações divulgadas posteriormente, o alvo da operação. De acordo com o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), os agentes realizavam “vigilância direcionada no último endereço conhecido de um estrangeiro ilegal com ordem final de remoção”. Uma pessoa deixou a residência em um veículo. Quando os agentes tentaram interromper a marcha, o carro “tentou fugir”. O DHS afirma que, “temendo pela segurança pública”, um agente abriu fogo.
O policial posteriormente identificado como David Brouillette efetuou os disparos que atingiram Durán Guerrero. O veículo continuou em movimento pela interseção após os tiros, até ser bloqueado por um veículo não identificado. Durán Guerrero foi retirado do banco do motorista e algemado.
O ICE afirma que a operação tinha como objetivo localizar uma pessoa com ordem final de deportação. Nas primeiras declarações, porém, a agência não identificou o alvo. Em audiência realizada em 17 de agosto de 2026, em Biddeford, a deputada democrata Chellie Pingree afirmou que o aparente objetivo da operação era o colega de quarto de Durán Guerrero — justamente a pessoa em cujo nome estava registrado o carro que ele dirigia naquela manhã.
Segundo Pingree, o colega de quarto também não possuía ordem final de remoção. A informação acrescentou uma nova camada de incerteza ao caso e entrou em aparente contradição com a descrição apresentada inicialmente pelo DHS.
O departamento, por sua vez, afirmou que nem Durán Guerrero nem seu colega de quarto eram os alvos identificados da operação. As autoridades federais se recusaram a revelar a identidade da pessoa procurada, alegando que se trata de informação sensível relacionada à aplicação da lei.
Durán Guerrero era natural de Bucaramanga, na Colômbia, e vivia em Biddeford com a companheira e a filha. Tinha um processo de asilo pendente e autorização de trabalho válida. Não havia ordem de remoção conhecida contra ele, nem histórico criminal conhecido. Trabalhava como entregador e também prestava serviços de limpeza.
Naquela manhã, sua ligação com a operação parecia ser apenas circunstancial: estava no endereço observado pelos agentes e dirigia um veículo registrado em nome de outra pessoa.
É justamente esse aspecto que tornou o caso emblemático. Uma operação dirigida a uma determinada pessoa acabou envolvendo fatalmente alguém que, segundo as informações divulgadas até agora, não era o alvo da ação. O episódio ocorreu em plena via pública de uma cidade de pequeno porte do Maine, distante das fronteiras e dos grandes centros urbanos normalmente associados às operações de imigração.
Mais de um mês depois, permanece uma pergunta central: quem era, afinal, a pessoa que os agentes procuravam naquela manhã?
O governo federal ainda não revelou publicamente sua identidade. A governadora do Maine, Janet Mills, o prefeito de Biddeford, Liam LaFountain, e o advogado que representa a família de Durán Guerrero cobram maior transparência sobre a operação e sobre as circunstâncias que levaram à morte do jovem.
O caso permanece sob investigação da Procuradoria-Geral do Maine e do Escritório do Inspetor-Geral do DHS.
A morte de Johan Sebastián Durán Guerrero deixa, portanto, mais do que uma investigação em aberto. Ela expõe o risco de uma operação de imigração alcançar pessoas que não são o objetivo declarado da ação e transforma uma manhã comum de trabalho em uma sequência de acontecimentos cuja explicação completa ainda não foi apresentada pelas autoridades.
No centro da investigação permanece a mesma pergunta que acompanha o caso desde 13 de julho: se o alvo era outra pessoa, por que Johan Sebastián Durán Guerrero acabou morto?
Referência: Killing of Johan Sebastián Durán Guerrero – Wikipedia


