Por: Edel Holz
Quem nunca teve uma rival na adolescência?
Você passava o tempo inventando adjetivos para defini-la:
“Minúscula invertebrada” (se fosse baixinha)
“Bichinho de goiaba” (se fosse branquinha e sem graça)
“Hino Nacional” (comprida, chata e ninguém canta)
“Lombriga” (se fosse magra e alta)
“Porquinho” (se tivesse o nariz achatado)
E muitas outras formas de ridicularizá-la. Às vezes, era preciso dar o braço a torcer e reconhecer alguma qualidade: “Ela é nojenta, mas tem um corpão…” Mas isso, só de vez em quando.
Sempre vinha à cabeça: “O que será que ele viu nela? Por que ela e não eu?”
Claro que você era muuuuito melhor que sua rival: mais inteligente, mais bonita, mais tudo. A conclusão era sempre a mesma: “Ela é mulher fácil. Faz tudo o que eu não faço.” Ou seja, todas as rivais eram consideradas “putonas”. Nunca o contrário.
O melhor de tudo é quando o tempo passa, ele se casa com outra (não foi com você, mas também não foi com ela) e você a encontra completamente arrasada pelos anos e goooorda, muito gooooordaaaa. Dentro de você, um grito de triunfo. Ela se esconde atrás do marido para você não vê-la — ele também gordo e bobo, afinal, casou com ela.
E você, magrinha, tentando manter o frescor da juventude apesar de dois partos e das intempéries da vida, que inevitavelmente nos fazem envelhecer.
Seu atual marido não precisa saber de nada, afinal, você não sente mais nada pelo ex. Mas o gostinho da vitória de vê-la gorda e feia… ah, esse ninguém te tira. Ninguém!
SOBRE A COLUNISTA: Edel Holz é a mais premiada e consagrada atriz, roteirista, diretora e produtora teatral brasileira nos Estados Unidos. Inquieta e de mente profícua, Edel tem sempre um projeto cultural engatilhado para oferecer para a comunidade brasileira. Depois de anos de ausência, Edel volta a abrilhantar as páginas de um jornal. Damos as boas vinda à poderosa e de mente efervescente Edel.


