Por: Eliana Pereira Ignacio
Olá, meus caros leitores!
Começamos falando sobre aquela esperança que decide permanecer mesmo quando Deus parece trabalhar em silêncio. Depois, refletimos sobre uma verdade igualmente necessária: enquanto a resposta não vem, a vida continua. E aprendemos que esperar não precisa significar abandonar o presente, paralisar projetos, adiar afetos ou colocar a própria existência em suspenso.
Hoje chegamos ao final desta pequena série.
E talvez a pergunta mais importante já não seja: “Quando a resposta virá?”
Talvez seja outra:
“Quem estou me tornando enquanto espero?”
Do ponto de vista psicológico, períodos prolongados de incerteza podem ser emocionalmente desgastantes. O ser humano busca previsibilidade. Queremos compreender o que está acontecendo, antecipar o que virá e sentir que possuímos algum controle sobre os acontecimentos.
Quando isso não é possível, podem surgir ansiedade, ruminação, frustração e pensamentos repetitivos: Quando isso vai mudar? Por que ainda não aconteceu? Quanto tempo mais conseguirei esperar?
Entretanto, a psicologia também nos mostra que atravessar experiências difíceis não produz necessariamente apenas sofrimento.
Os psicólogos Richard Tedeschi e Lawrence Calhoun desenvolveram importantes estudos sobre aquilo que denominaram crescimento pós-traumático. O conceito não pretende romantizar a dor nem afirmar que precisamos sofrer para amadurecer. Ele aponta para algo mais cuidadoso: algumas pessoas, ao enfrentarem circunstâncias profundamente desafiadoras, percebem posteriormente mudanças importantes na maneira de compreender a vida, os relacionamentos, suas próprias capacidades e aquilo que consideram verdadeiramente essencial.
Nem toda dificuldade produz crescimento automaticamente. Mas algumas experiências nos obrigam a desenvolver recursos internos que talvez permanecessem desconhecidos se tudo tivesse acontecido exatamente como planejamos.
A espera pode nos ensinar sobre tolerância à incerteza.
Pode revelar nossa necessidade excessiva de controle.
Pode mostrar quais relações realmente nos sustentam.
Pode ensinar a diferenciar aquilo que depende de nós daquilo que simplesmente não podemos controlar.
E pode, sobretudo, devolver-nos uma pergunta que muitas vezes esquecemos de fazer:
Como quero viver enquanto aquilo que desejo ainda não aconteceu?
Existe uma diferença profunda entre esperar uma resposta e entregar toda a nossa vida a essa resposta.
Quando condicionamos nossa paz a um acontecimento futuro — “serei feliz quando isso acontecer”, “vou viver quando esse problema terminar”, “ficarei bem quando receber aquilo que espero” — corremos o risco de transformar o futuro em proprietário do nosso presente.
A esperança saudável funciona de outra maneira.
Ela olha para amanhã sem abandonar hoje.
Ela permite desejar profundamente alguma coisa e, ao mesmo tempo, reconhecer que ainda existem pessoas para amar, decisões para tomar, possibilidades para construir, manhãs para começar e motivos para agradecer.
E é justamente aqui que a psicologia encontra uma das dimensões mais profundas da fé.
Na perspectiva cristã, esperar em Deus nunca significou permanecer emocionalmente imóvel.
A Bíblia está repleta de pessoas que esperaram.
Esperaram promessas, respostas, libertação, direção, cura, reencontros e novos começos.
Mas, enquanto esperavam, continuaram caminhando.
Isso nos ajuda a compreender que fé não é uma tentativa de controlar Deus por meio da esperança.
Confiar não significa determinar como a história deverá terminar.
Talvez essa seja uma das formas mais maduras de esperança cristã: continuar acreditando na fidelidade de Deus mesmo quando Sua resposta não possui a forma que imaginávamos.
Algumas respostas chegam exatamente como pedimos.
Outras chegam depois de muito tempo.
Algumas chegam de maneira completamente diferente.
E existem experiências para as quais talvez nunca encontremos, nesta vida, uma explicação capaz de responder plenamente aos nossos “porquês”.
“Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias: correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão.” Isaías 40:31
Até nossa próxima semana!
Eliana Pereira Ignacio é Psicóloga, formada pela PUC – Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica; especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, entre outras qualificações. Mora em Massachusetts e dá aula na Dardah University. Para interagir com Eliana envie um e-mail para epignacio_vo@hotmail.com ou info@jornaldossportsusa.com


