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WASHINGTON — Um supervisor do Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro dos Estados Unidos (ICE) alertou no ano passado que a agência contratava milhares de novos oficiais sem concluir verificações básicas de antecedentes, em violação a regras federais, segundo denúncia divulgada pela agencia AP de noticias nesta quarta-feira, 09.
O funcionário, então chefe de unidade do Escritório de Responsabilidade Profissional do ICE, afirmou que o setor de recursos humanos emitia ofertas finais de emprego antes da conclusão de etapas preliminares, como coleta de impressões digitais, confirmação de identidade e checagem de crédito.
Em memorando de agosto de 2025 ao Inspetor-Geral do Departamento de Segurança Interna (DHS), o denunciante escreveu que a “redução sem precedentes dos padrões” privilegiava a rapidez em detrimento da mitigação de riscos e expunha o departamento a “infiltração e comprometimento interno”.
A identidade do autor foi omitida no documento. O New York Times, que noticiou primeiro a denúncia, descreveu-o como um funcionário com 17 anos de agência, republicano e eleitor de Donald Trump em 2020 e 2024. A Associated Press obteve a queixa e um memorando do advogado de Kevin Owen, ex-funcionário já aposentado.
O ICE anunciou em janeiro ter contratado 12 mil novos oficiais em menos de um ano, com financiamento extra de 75 mil milhões de dólares aprovado pelo Congresso para ampliar prisões e deportações. O ritmo foi impulsionado por um bônus de contratação de 50 mil dólares.
A denúncia afirma que falhas “sistêmicas” no vetting infringiram normas federais para cargos de aplicação da lei e segurança nacional, ampliando o risco de ameaças internas, infiltração e influência estrangeira, além de enfraquecer as operações e a confiança pública.
O denunciante pediu ao Inspetor-Geral que investigue o processo, suspenda práticas irregulares, responsabilize os envolvidos e revise contratações recentes em busca de possíveis ameaças internas.
O escritório do Inspetor-Geral já havia anunciado investigação sobre contratação, treinamento e autorizações de segurança do ICE.
Em comunicado, o ICE afirmou que o denunciante não integra mais a agência e que o Escritório de Responsabilidade Profissional “aplica diligentemente” as regras de verificação de pessoal.
A agência já reconheceu que alguns candidatos receberam cartas de seleção provisória após candidatura e entrevista, e que parte deles iniciou o treinamento antes do fim da investigação de antecedentes.
Uma apuração anterior da AP identificou novos contratados com problemas financeiros graves, acusações de má conduta em empregos anteriores e históricos profissionais instáveis.
Em julho, o conselheiro da Casa Branca para a fronteira, Tom Homan, afirmou que o ICE investigaria falhas aparentes na verificação de um agente que matou a tiros um motorista de 25 anos no Maine.
A denúncia é a segunda de um insider a criticar a aceleração das contratações. Ryan Schwank, ex-advogado e instrutor da academia do ICE, disse que a agência reduziu no ano passado o treinamento sobre uso da força, segurança de armas e direitos de manifestantes. O DHS informou depois ter ampliado a formação dos novos oficiais.


