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O que parecia ser o desvio de centenas de rolinhos de canela (cinnamon rolls) terminou de uma maneira inesperada. A encomenda não havia sido roubada. O entregador não desaparecera com a mercadoria: ele fora detido pela Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos quando seguia para o destino.
Julie Pierre, de 21 anos, dona da Roll & Dough, havia contratado, em 22 de agosto, um entregador de aplicativo para transportar cerca de 350 rolinhos de canela até o Yellow Green Farmers Market, em Hollywood. O produto havia viralizado nas redes sociais e seria vendido na feira.
A encomenda, porém, não chegou. Sem conseguir contato com o motorista, Pierre considerou a mercadoria perdida — cerca de US$ 3.100 — e relatou o aparente furto nas redes sociais, onde a história rapidamente ganhou grande repercussão.
A investigação da polícia de Sunrise apontou outra explicação.
Segundo as autoridades, o motorista foi abordado pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) pouco antes das 9h, enquanto dirigia um Kia Carnival prateado pela Interstate 95, no sentido sul. O motorista foi identificado como Ivan Dario Rico Molano, cidadão colombiano. Durante a abordagem, a CBP constatou que ele permanecia nos Estados Unidos sem autorização migratória. Molano teria entrado legalmente no país em maio de 2021, mas ultrapassado o período permitido pelo visto. Ele foi levado a uma estação da Patrulha de Fronteira para processamento.
Os rolinhos de canela, entretanto, permaneceram dentro do veículo.
Antes de ser levado, Molano conseguiu avisar outra pessoa, que assumiu o carro e a carga. Essa pessoa procurou a polícia de Sunrise para providenciar a devolução da encomenda. Cinco dias depois, em 27 de agosto — já depois da feira para a qual os produtos haviam sido destinados — os rolinhos e as embalagens foram recuperados e entregues à proprietária.
A mercadoria já não podia ser comercializada e acabou descartada. O prejuízo de aproximadamente US$ 3.100 permaneceu, mas não por causa de um furto.
A Roll & Dough posteriormente corrigiu a acusação inicial e pediu desculpas por ter tratado o episódio como roubo antes de conhecer as circunstâncias. A empresa também afirmou que o registro feito à polícia local não provocou a prisão migratória do entregador.
O episódio revela como uma sequência aparentemente simples pode produzir uma conclusão errada. A encomenda não chegou, o motorista ficou incomunicável e a mercadoria desapareceu do radar. A explicação mais imediata foi a de que alguém havia ficado com os produtos. A causa real, porém, estava em outro lugar: uma abordagem migratória interrompeu a entrega no meio do caminho.


