Por: Alex Colombini –
O Brasil assistiu, na terça-feira, a uma das cenas mais vergonhosas da história recente do Supremo Tribunal Federal.
O que deveria ser uma sessão séria para decidir se havia motivos para investigar Alexandre de Moraes virou um verdadeiro circo. Teve gritaria, acusações, ataques pessoais e ministros defendendo ministros.
A jornalista Malu Gaspar resumiu muito bem: foram “seis horas de circo”. E foi exatamente isso que o povo brasileiro viu. Muito bate-boca, muita ameaça e pouca vontade de explicar as graves suspeitas envolvendo o caso Banco Master.
André Mendonça não estava condenando Alexandre de Moraes. Ele estava pedindo uma coisa simples: vamos investigar os fatos. Só isso.
Investigar não é condenar. Quem não deve não teme. Se não houve nada errado, que seja investigado, esclarecido e encerrado. Mas, quando alguém luta com unhas e dentes para impedir uma investigação, é natural que o povo fique desconfiado.
Mesmo assim, trataram Mendonça como se ele fosse o criminoso. Gilmar Mendes perdeu completamente a compostura. Chamou o colega de “pixuleco eleitoral”, apontou o dedo, atacou suas intenções e tentou humilhá-lo diante de todo o país.
Flávio Dino também deixou de lado a aparência de imparcialidade. Em vários momentos, parecia mais um advogado de defesa de Alexandre de Moraes do que um ministro interessado em descobrir a verdade. Para completar o espetáculo, pediu vista e interrompeu o julgamento.
Mas a frase mais absurda veio de Gilmar Mendes: “Até a máfia tem ética. É preciso ter decência. Não se comporta dessa forma.” Parece brincadeira, mas não é. Um ministro da mais alta Corte do país usou a máfia como exemplo de ética. Desde quando a máfia pode servir de referência para o STF?
Talvez essa frase tenha revelado muito mais do que Gilmar gostaria. O que incomodou alguns ministros não foram as suspeitas. O problema parece ter sido o fato de tudo ter vindo a público.
Cármen Lúcia disse estar envergonhada e pediu desculpas à sociedade brasileira. Pelo menos ela reconheceu o tamanho do vexame. Sua vergonha é também a vergonha de milhões de brasileiros honestos que assistiram àquela baixaria transmitida ao vivo.
Naquele plenário, André Mendonça ficou praticamente sozinho defendendo o direito de investigar. Do outro lado, o que vimos foi ministro protegendo ministro.
O STF está sangrando. Não por causa das críticas, mas por causa das atitudes de alguns de seus próprios integrantes. Quando uma Corte se preocupa mais em proteger os seus do que em esclarecer os fatos, perde a confiança do povo.
E lembre-se: faltam apenas 17 dias para a eleição presidencial.
Imagine o atual grupo político continuar no poder e, ao longo desse ciclo, colocar cinco ministros de sua escolha no STF — dois já indicados e pelo menos mais três que poderão ser nomeados no próximo mandato. Imagine uma Corte cada vez mais tomada pela mesma forma de pensar e agir que vimos naquela sessão.
Onde vamos parar?
Reflita. Pense no futuro do Brasil. Vote certo. Vote consciente.


