Por: Eliana Pereira Ignacio
Olá, meus caros leitores!
Na semana passada conversamos sobre um mundo que parece ter apertado o botão da velocidade. Falamos dos avanços da tecnologia, da Inteligência Artificial e de como, quase sem percebermos, estamos tentando acompanhar mudanças que chegam antes mesmo de termos tempo para compreender as anteriores.
Pois bem… sobrevivi à semana e continuo aqui escrevendo para vocês. Pelo menos até onde eu sei, ainda sou eu!
Mas aquela conversa me deixou pensando em outra questão talvez ainda mais importante: se tantas coisas ao nosso redor estão mudando, o que não podemos permitir que mude dentro de nós?
Não sou contra o progresso. Muito pelo contrário. A tecnologia aproxima pessoas, facilita tratamentos, amplia conhecimentos, encurta distâncias e oferece possibilidades que há poucos anos pareciam impossíveis.
O problema começa quando aprendemos a atualizar nossos aparelhos, mas nos esquecemos de atualizar nossos afetos.
Temos centenas de contatos e, às vezes, ninguém para quem telefonar quando o coração aperta. Recebemos mensagens durante todo o dia, mas podemos passar semanas sem perguntar sinceramente a alguém: “Como você está?”
E talvez aí esteja uma das grandes contradições do nosso tempo: nunca estivemos tão conectados e, ainda assim, tantas pessoas se sentem profundamente sozinhas.
Na psicologia, sabemos o quanto os vínculos humanos são importantes para o nosso equilíbrio emocional. Ser ouvido, reconhecido, acolhido e sentir que pertencemos a algum lugar são necessidades profundamente humanas.
Nenhuma tecnologia elimina essa necessidade.
Podemos mandar um coração pela tela, mas existe algo diferente em olhar nos olhos. Podemos escrever “estou aqui”, mas há momentos em que sentar ao lado de alguém em silêncio diz muito mais. Podemos ter respostas instantâneas para quase tudo, mas algumas dores não precisam de respostas — precisam de presença.
Talvez seja justamente essa a habilidade que precisamos proteger: a capacidade de estar verdadeiramente presentes uns para os outros.
E presença exige algo que está ficando raro: TEMPO.
Tempo para ouvir sem olhar o telefone. Tempo para conversar sem pressa. Tempo para visitar. Tempo para brincar com os filhos. Tempo para perceber que alguém próximo não está bem. E até tempo para ficarmos em silêncio conosco mesmos.
Na vida espiritual acontece algo semelhante. Também podemos nos acostumar tanto com o barulho, com as notificações e com a urgência que já não encontramos espaço interior para ouvir.
A Bíblia nos traz uma orientação simples e, ao mesmo tempo, profundamente atual:
“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus.” — Salmos 46:10
Aquietar-se talvez seja um dos maiores desafios deste século.
Não significa abandonar a tecnologia, rejeitar o progresso ou querer voltar ao passado. Significa apenas não permitir que a velocidade do lado de fora determine completamente aquilo que acontece do lado de dentro.
Que nossas máquinas se tornem mais inteligentes. Que a medicina avance. Que as distâncias diminuam. Que novas ferramentas apareçam. Que o mundo continue mudando.
Mas que nós não percamos a ternura.
Que ainda saibamos visitar alguém sem precisar de motivo. Que ainda consigamos pedir perdão olhando nos olhos. Que as crianças conheçam histórias contadas por pessoas e não somente por telas. Que os idosos ainda encontrem alguém disposto a ouvir uma história que talvez já tenham contado muitas vezes.
E, principalmente, que nunca confundamos estar conectado com estar presente.
Talvez o grande desafio do futuro não seja descobrir até onde a tecnologia poderá chegar. Talvez seja descobrir se, enquanto ela chega tão longe, nós conseguiremos continuar próximos uns dos outros.
Pense nisso.
E durante esta semana faça uma experiência bem simples: escolha alguém importante para você, deixe o telefone de lado por alguns minutos e ofereça algo que nenhuma tecnologia conseguiu substituir até hoje: sua presença inteira.
“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.” — Romanos 12:10
Até a próxima semana!
Corrigi principalmente os caracteres corrompidos (como Artificial, ficando, filhos, notificações, desafios) e pequenos pontos de pontuação e espaçamento. Não fiz alterações de conteúdo.
Eliana Pereira Ignacio é Psicóloga, formada pela PUC – Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica; especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, entre outras qualificações. Mora em Massachusetts e dá aula na Dardah University. Para interagir com Eliana envie um e-mail para epignacio_vo@hotmail.com ou info@jornaldossportsusa.com


