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A congresista republicana María Elvira Salazar, da Flórida, publicou nesta quinta-feira (17 de setembro de 2026) um anúncio de campanha em que diz ao presidente Donald Trump que parte da política migratória “foi longe demais” e que hispânicos que o apoiaram em 2024 se sentem “traídos”. O recado chega a cerca de seis semanas das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro.
No vídeo, em inglês e espanhol, Salazar afirma: “Senhor presidente, algumas das suas medidas de controle migratório foram longe demais.” Cita detenções de julho — cerca de 50 mil pessoas, segundo ela metade sem antecedentes criminais — e acrescenta: “Tenha cuidado com o que os seus conselheiros lhe dizem sobre política migratória. Os mesmos hispânicos que o ajudaram a chegar à Casa Branca em 2024 se sentem traídos hoje.”
A legisladora cubano-americana, que representa um distrito da área de Miami de maioria hispânica e busca o quarto mandato, diz que Trump poderia ter um papel histórico no tema, mas rejeita o termo anistia: “Você pode ser para a imigração o que Lincoln foi para a escravidão e Reagan para o comunismo. Não me refiro a conceder-lhes anistia. Me refiro a dar-lhes uma vida digna nesta terra prometida.”
Trump havia dado “apoio total” à reeleição dela em fevereiro, destacando o trabalho da congresista na fronteira. O adversário democrata, Eliott Rodriguez, reagiu por meio do estrategista Fernand R. Amandi, que acusou Salazar de tentar se distanciar de medidas que ela própria teria apoiado no Congresso.
A resposta atribuída ao DHS
Segundo a agência EFE, um porta-voz do Departamento de Segurança Nacional (DHS) enviou uma resposta à imprensa no mesmo dia. O texto, reproduzido por Infobae, El Diario NY e La Opinión, não aparece como comunicado no site oficial do DHS.
De acordo com a EFE, o porta-voz afirmou: “Goste ou não a congresista Salazar, os homens e mulheres do ICE estão fazendo cumprir as leis aprovadas pelo Congresso.” E acrescentou: “Sob a liderança do presidente Trump e do secretário (Markwayne Mullin), não haverá anistia para os imigrantes ilegais. Nem agora nem nunca. O Departamento de Segurança Nacional está focado em levar a cabo a campanha de deportação em massa mais histórica da história dos Estados Unidos, tal como prometeu o presidente Trump.”
A mesma nota atribuída ao DHS, segundo esses veículos, conclui: “Que fique claro: o único que os Estados Unidos deveriam oferecer aos imigrantes ilegais é uma passagem de ida aos seus países de origem ou um cheque generoso de 3 mil dólares para que se autodeportem imediatamente. Não ignoraremos o Estado de direito.”
O contexto eleitoral
Salazar é favorita no seu distrito, mas o episódio ocorre num momento em que pesquisas apontam desgaste de Trump na imigração e preocupação republicana com o voto hispânico, decisivo em 2024. Na Flórida, os hispânicos representam mais de 26% da população. A congressista enfrenta Rodriguez em novembro.
Em resumo: o choque público é real — uma aliada de Trump criticou a dureza das detenções. A frase dura sobre “anistia” e o cheque de US$ 3 mil, porém, deve ser lida como declaração de porta-voz relatada pela EFE e por outros meios, não como nota oficial publicada pelo próprio DHS.


