Por: Alex Colombini –
Essa semana eu não quero falar de política. Quero falar da vida. Ou melhor, de como a vida passa rápido demais.
Fomos pegos de surpresa com a morte do empresário Bruno Avelar, aos 41 anos, e de outras quatro pessoas, entre elas o cantor sertanejo Rick, o piloto, o copiloto e o cameraman do Bruno, em um acidente de helicóptero.
Bruno era muito conhecido entre os brasileiros nos Estados Unidos. Criou o Poder do Network e ficou conhecido por conectar pessoas, abrir portas e falar muito sobre servir. Eu tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, e isso sempre me marcou. Ele falava sobre ajudar, aproximar pessoas e fazer diferença na vida de alguém.
E quem conhecia o Bruno certamente se lembra de uma frase que virou quase uma marca dele: “Depois te explico.”
Mas havia algo que eu admirava ainda mais: a forma como ele era com os filhos. Eu pude presenciar isso. O carinho, a atenção, o amor e a maneira como cuidava deles. E isso, para mim, diz muito sobre um homem.
Bruno estava em plena ascensão profissional. Cheio de projetos, negócios, planos e sonhos. E, de repente, tudo parou.
Isso faz a gente pensar.
Recentemente, li o relato de uma mulher que havia brigado com o marido. Ele foi ao supermercado e mandou uma mensagem perguntando se ela precisava de alguma coisa. Ela, ainda chateada, não respondeu.
Ele nunca voltou para casa. Sofreu um acidente de carro e morreu.
Depois, um policial levou até ela as sacolas das compras. Entre elas havia uma caixa de morangos mais cara, justamente a que ela gostava. Ele havia comprado para surpreendê-la.
Talvez eles fossem fazer as pazes naquela noite. Mas não deu tempo.
Essa história mexeu comigo porque nós vivemos como se sempre tivéssemos amanhã.
Amanhã eu ligo. Amanhã eu peço desculpas. Amanhã eu abraço. Amanhã eu digo que amo.
Só que ninguém tem garantia do amanhã.
Eu mesmo, recentemente, passei por uma situação que nunca imaginei viver. E aprendi ainda mais que não temos controle de tudo. Em poucos minutos, a vida pode mudar completamente.
A Bíblia diz, em Tiago 4:14, que a nossa vida é como uma neblina, que aparece por um pouco de tempo e depois desaparece. E o Salmo 90:12 diz: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.”
Então, abrace seus filhos. Beije sua esposa. Ligue para seus pais. Procure aquele amigo. Peça perdão. Perdoe. Diga que ama enquanto ainda existe tempo.
Como homens, precisamos entender também nossa responsabilidade dentro de casa. Ser pai, marido, exemplo, sacerdote do lar. Podemos ser empresários e profissionais bem-sucedidos, mas precisamos ter caráter, palavra, ética e, acima de tudo, temor a Deus.
No final, empresa fica. Dinheiro fica. Carro fica. Cargo fica. Casa fica.
O que permanece é aquilo que plantamos na vida das pessoas.
Bruno falava muito sobre servir. E, pela maneira como tratava seus filhos, mostrava também que sucesso não é apenas aquilo que construímos nos negócios. É também aquilo que construímos dentro de casa.
Um dia, para todos nós, haverá um último abraço, uma última conversa, um último telefonema, um último “até logo”. E provavelmente não saberemos que será o último.
Por isso, não economize amor. Não carregue mágoa por tempo demais. Não deixe o orgulho roubar momentos que poderiam ser vividos em paz.
Sirva mais. Ame mais. Perdoe mais rápido. Valorize sua família. E perca menos tempo com coisas pequenas.
A vida é muito rápida.
Não deixe para amanhã aquilo que você ainda pode fazer hoje. Porque o amanhã não pertence a nós.
E talvez, no final de tudo, a pergunta mais importante não seja quanto dinheiro fizemos, quantas empresas construímos ou quantas pessoas conhecemos.
Talvez seja algo bem mais simples:
Quem teve a vida melhor porque nós passamos por ela?
Essa é a reflexão que fica para mim esta semana.


