Por: Eliana Pereira Ignacio –
Olá, meus caros leitores!
Nas últimas semanas, conversamos bastante sobre inteligência artificial, tecnologia, mudanças e sobre esse mundo que parece correr numa velocidade cada vez maior. Falamos sobre aquilo que está mudando ao nosso redor e, principalmente, sobre aquilo que não pode mudar dentro de nós.
Mas hoje eu quero fazer diferente. Hoje não quero falar sobre máquinas. Quero falar sobre a vida.
Porque, em meio a tantas notícias difíceis, tantas preocupações e tanta pressa, corremos o risco de esquecer uma verdade muito simples: ainda há muita coisa bonita acontecendo todos os dias.
Talvez não apareça nos jornais. Talvez não vire assunto nas redes sociais. Talvez ninguém filme. Mas está acontecendo.
Há alguém preparando café para outra pessoa antes que ela acorde. Há uma mãe cansada ajeitando a coberta do filho no meio da noite. Há alguém telefonando para um amigo simplesmente para perguntar: “Você está bem?”
Há uma criança descobrindo alguma coisa pela primeira vez e ficando maravilhada. Há famílias recomeçando. Há pessoas perdoando. Há gente tentando novamente depois de ter pensado em desistir.
Há alguém dividindo o pouco que tem. Há pessoas entrando em hospitais para cuidar de desconhecidos, professores entrando em salas de aula acreditando no futuro de seus alunos e trabalhadores começando mais um dia levando consigo sonhos que ninguém conhece.
E há também aquelas pequenas alegrias que quase passam despercebidas.
O cheiro do café. Uma música antiga que traz uma lembrança boa. Uma conversa gostosa. Uma gargalhada inesperada. O abraço de alguém querido. O céu bonito no final da tarde. A comida que ficou especialmente gostosa naquele dia. A mensagem que chegou justamente quando precisávamos.
Nada disso parece grandioso.
Mas talvez tenhamos confundido grandeza com barulho.
A vida, muitas vezes, acontece baixinho.
Vivemos uma época fascinada pelo extraordinário. Queremos novidades, velocidade, respostas imediatas e acontecimentos capazes de prender nossa atenção. Enquanto isso, algumas das melhores coisas da existência continuam exatamente onde sempre estiveram: nas relações, nos afetos, na gratidão, na fé, na capacidade de perceber o outro e na alegria de simplesmente estar vivo.
Talvez seja por isso que precisamos reaprender uma coisa muito antiga: celebrar o comum.
Não precisamos esperar uma grande vitória para agradecer. Não precisamos esperar as férias para descansar a alma. Não precisamos esperar ter tudo resolvido para sermos felizes.
A vida nunca estará completamente organizada. Sempre haverá uma preocupação, uma conta, um problema, uma decisão a tomar ou alguma coisa fora do lugar.
Se decidirmos ser felizes somente quando tudo estiver perfeito, poderemos passar anos esperando por um dia que talvez nunca chegue.
Por isso, hoje, meu convite é simples:
Olhe ao seu redor. Procure alguma coisa boa. Pode ser pequena. Aliás, provavelmente será.
Talvez você perceba que alguém ama você. Talvez descubra que venceu coisas que um dia achou que não conseguiria vencer. Talvez perceba que sua casa não é perfeita, sua família não é perfeita, você não é perfeito — mas, ainda assim, existe amor ali.
E talvez, no final do dia, você consiga dizer:
“Nem tudo está como eu gostaria. Mas ainda há muito pelo que agradecer.”
E enquanto houver tudo isso, meus caros leitores, haverá sempre uma boa razão para acreditar que a vida continua sendo um presente.
“Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.”
1 Tessalonicenses 5:18
Até a próxima semana!
Eliana Pereira Ignacio é Psicóloga, formada pela PUC – Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica; especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, entre outras qualificações. Mora em Massachusetts e dá aula na Dardah University. Para interagir com Eliana envie um e-mail para epignacio_vo@hotmail.com ou info@jornaldossportsusa.com


