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DETROIT — Chloe Freeman compareceu ontem a um tribunal federal em Detroit, nos Estados Unidos, e foi liberada sob fiança de US$ 10 mil, sem necessidade de depósito imediato. O chamado unsecured bond prevê o pagamento apenas em caso de descumprimento das condições impostas pela Justiça. Segundo seu advogado, Matthew Borgula, Freeman pretende se declarar inocente. Ele afirmou ainda que a acusação é de misdemeanor (contravenção), e não de felony (crime sujeito a penas mais graves). Freeman já deixou a região e não trabalha mais no hospital.
Os documentos judiciais que detalham o caso. Freeman, de 33 anos, moradora de Whitmore Lake, Michigan, é acusada de ter ajudado deliberadamente um cidadão mexicano sujeito a deportação a escapar da custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) no Trinity Health Ann Arbor Hospital, onde trabalhava como enfermeira.
Segundo a denúncia apresentada pelo agente especial do FBI Michael Wagner, o mexicano, identificado nos autos apenas pelas iniciais OBP, ficou ferido em 28 de maio ao tentar fugir de agentes do ICE. Ele foi levado ao hospital para avaliação médica e submetido a uma tomografia computadorizada. Após o exame, Freeman o retirou da sala. Imagens das câmeras de segurança mostram o homem deixando o hospital pelas portas da área de ambulâncias menos de três minutos depois. Ele não foi localizado desde então.
Em entrevista ao FBI, em 18 de junho, Freeman admitiu ter permitido que o paciente deixasse o hospital. Disse saber que ele estava sob custódia do ICE, mas afirmou não acreditar que permanecesse detido naquele momento, pois os agentes não estavam fisicamente presentes na sala de tomografia. Segundo o relato registrado pelos investigadores, ela também disse discordar da separação de famílias promovida pelo órgão e que sabia que iria “libertá-lo”. Freeman afirmou ainda acreditar que o homem poderia morrer em consequência dos ferimentos.
A acusação formal foi apresentada no fim de agosto. O Trinity Health confirmou que Freeman não faz mais parte do quadro de funcionários. Em nota, o hospital afirmou que não poderia comentar o mérito do processo enquanto o caso estiver em andamento.
Os documentos divulgados não informam a identidade completa do imigrante nem apresentam detalhes sobre eventuais antecedentes criminais além de sua situação migratória. O Departamento de Segurança Interna (DHS) não havia se pronunciado imediatamente sobre o episódio. A próxima etapa do processo não estava detalhada nas peças judiciais divulgadas na manhã desta quarta-feira, 30.


