Eliana Pereira Ignacio
Olá, meus caros leitores!
Mais uma semana estamos juntos. Que tal uma conversa à mesa, com café e tempo para pensar?
Na semana passada, falamos sobre as coisas bonitas ao nosso redor: pequenos gestos, afetos, recomeços e simplicidades que quase não percebemos na correria. Depois fiquei pensando: será que estamos vivendo essas coisas ou deixando a vida para depois?
Existe uma palavra pequena que usamos todos os dias, como se não oferecesse perigo: depois.
Depois eu telefono. Depois eu visito. Depois descanso, cuido de mim, volto a fazer o que gosto ou converso com calma com meus filhos.
Somos especialistas em criar “depois”. Acreditamos que, um dia, tudo estará organizado e teremos tempo para viver. Mas talvez esse dia nunca chegue.
Quando resolvemos uma coisa, aparece outra. As fases mudam, os filhos crescem, as relações se transformam e o calendário continua virando suas páginas.
Ouvindo tantas histórias, percebi que o “depois” nem sempre significa falta de tempo. Muitas vezes, há medo, culpa, insegurança ou receio de decepcionar alguém. Esperamos o momento ideal, mas são os pequenos passos que constroem confiança.
Coragem não é ausência de medo; é não deixar que ele decida tudo por nós.
“Quando estiver tudo resolvido, eu cuido de mim”, pensa quem se coloca no fim da fila, depois dos filhos, da família e do trabalho. Mas sempre haverá algo a fazer. Cuidar de si também é necessário.
Talvez uma armadilha seja acreditar que estamos apenas nos preparando para viver. Não estamos. Já estamos vivendo.
A terça-feira comum, o jantar em casa, a conversa com seu filho ou a ligação de alguém querido: tudo isso também é vida.
Esperamos pelos grandes acontecimentos e deixamos de perceber que nossa história se escreve nos dias comuns.
Viver o presente não significa ignorar problemas nem ser feliz o tempo inteiro. Alguns dias pedem celebração; outros, descanso ou paciência. Às vezes, estar presente é reconhecer: “Hoje eu não estou bem.” Respeitar nossos limites e buscar ajuda também é cuidar da vida.
Dizer que a vida não pode ficar para depois não significa fazer tudo hoje. Significa não deixar a nós mesmos sempre para depois.
Talvez você não possa viajar, mas pode passear; não realize um sonho agora, mas pode dar o primeiro passo; não resolva uma relação, mas pode iniciar uma conversa.
Faça aquela ligação. Descanse sem culpa. Sente-se à mesa com quem você ama. Diga “eu te amo”. Peça desculpas, se precisar. Comece aquilo que promete há tanto tempo.
Não trate os dias comuns como intervalo antes da vida verdadeira.
Contar os nossos dias é compreender que eles têm valor. O dia não vivido não pode ser guardado. E amanhã, se Deus permitir, receberemos outro.
Nesta semana, pergunte a si mesmo: “O que tenho deixado para depois? Por quê?”
É falta de tempo ou há medo, culpa ou insegurança? Talvez você se coloque sempre por último.
O futuro merece nossos planos e o passado, nossas lembranças. Mas é o presente que precisa da nossa presença.
Talvez a felicidade esteja numa terça-feira comum: num café, numa conversa, num abraço, numa oração ou naquele passo que decidimos não adiar.
A vida já começou.
Enquanto Deus nos conceder novos dias, que tenhamos sabedoria para planejá-los, coragem para enfrentar o necessário e sensibilidade para viver o que merece ser vivido.
Não deixe a vida para depois. E, por favor, não deixe você para depois também.
“Ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos coração sábio.”
Salmos 90:12
Até a próxima semana.
Eliana Pereira Ignacio é Psicóloga, formada pela PUC – Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica; especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, entre outras qualificações. Mora em Massachusetts e dá aula na Dardah University. Para interagir com Eliana envie um e-mail para epignacio_vo@hotmail.com ou info@jornaldossportsusa.com


