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O Departamento de Defesa dos Estados Unidos confirmou que pretende transmitir ao vivo pela internet a execução de Nidal Malik Hasan, ex-major do Exército condenado pelo assassinato de 13 pessoas e pela tentativa de assassinato de outras 32 em um ataque a tiros na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009.
A execução está marcada para 3 de dezembro, às 13h no horário local, por meio de um pelotão de fuzilamento. Será a primeira execução militar americana desde 1961 e a primeira por fuzilamento nas Forças Armadas desde 1945, caso seja realizada conforme o planejamento anunciado.
A confirmação da transmissão ocorreu na quinta-feira, 8 de outubro, depois que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, declarou, em entrevista ao canal conservador Real America’s Voice, que o procedimento seria público e que as pessoas poderiam assisti-lo.
Segundo autoridades do Pentágono, mais detalhes sobre a transmissão serão divulgados posteriormente. Até o momento, não há confirmação da plataforma que exibirá as imagens nem de um endereço oficial para acompanhar o evento.
Transparência ou espetáculo?
O anúncio provocou questionamentos entre especialistas em direito militar, pesquisadores da pena de morte e defensores dos direitos humanos.
Deborah Denno, professora de Direito da Universidade Fordham e especialista em pena capital, avaliou que a transmissão poderia ampliar a transparência sobre a aplicação da pena de morte, permitindo que o público conhecesse as condições reais em que ela é executada.
Outros especialistas, porém, questionam a decisão de transformar uma execução em um acontecimento transmitido ao público.
Elisabeth Semel, codiretora da Clínica da Pena de Morte da Faculdade de Direito da Universidade da Califórnia em Berkeley, levantou dúvidas sobre a motivação do governo e as consequências jurídicas e sociais da iniciativa.
A discussão ocorre em um momento de crescente escrutínio dos métodos de execução nos Estados Unidos, especialmente após problemas registrados em procedimentos de injeção letal.
Condenação e possibilidade de adiamento
Hasan era psiquiatra militar e ocupava o posto de major quando, em 5 de novembro de 2009, abriu fogo contra militares que aguardavam atendimento em uma instalação médica de Fort Hood. Treze pessoas morreram e outras 32 ficaram feridas.
Em seu julgamento, em 2013, Hasan admitiu ter sido o autor dos disparos. A Justiça militar o condenou à morte por assassinato premeditado e tentativa de assassinato.
O presidente Donald Trump autorizou a execução em 2 de outubro de 2026, e o Exército anunciou a data cinco dias depois.
Apesar disso, a realização do procedimento ainda pode ser adiada. Especialistas afirmam que Hasan poderá recorrer à Justiça civil por meio de uma petição de habeas corpus, instrumento jurídico que permite questionar a legalidade de uma detenção ou de outras medidas que afetem a liberdade.
Hasan ficou paralisado da cintura para baixo depois de ser baleado pelas forças de segurança durante sua prisão e atualmente utiliza cadeira de rodas, possivelmente será executado sentado e não amarrado em uma estaca.
A transmissão anunciada pelo Pentágono representa uma mudança incomum na maneira como o governo americano trata publicamente a pena capital. A decisão deverá alimentar o debate sobre os limites entre transparência institucional, punição judicial e exposição pública da morte de um condenado.


