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A imigração continua entre as principais preocupações dos eleitores americanos, mas perdeu espaço para a economia, o custo de vida, a saúde e a guerra com o Irã às vésperas das eleições legislativas de 3 de novembro. Pesquisas recentes indicam que a política migratória do presidente Donald Trump, antes considerada uma de suas principais forças eleitorais, enfrenta resistência crescente.
Levantamento da AP-NORC aponta que 45% dos eleitores consideram imigração e criminalidade questões importantes para o país. Uma pesquisa anterior, realizada no fim de julho, mostrou que 39% dos adultos aprovavam a atuação de Trump na área migratória, enquanto 55% consideravam excessiva a presença de agentes federais de imigração nas cidades americanas.
Mesmo entre os republicanos, o apoio à política migratória presidencial recuou. A aprovação caiu de 88% em março de 2025 para 81% no levantamento de julho.
O contraste está na diferença entre o controle da fronteira e as operações realizadas dentro dos Estados Unidos. O fechamento quase completo da fronteira sul recebeu apoio de parcelas expressivas do eleitorado, especialmente entre conservadores de estados fronteiriços. Já as ações de fiscalização no interior do país provocaram reações negativas, segundo especialistas que acompanham a opinião pública.
A percepção de parte dos eleitores é que os Estados Unidos passaram de uma situação de descontrole na fronteira durante o governo anterior para um cenário de tensão nas comunidades durante o atual governo. Relatos de prisões, agentes mascarados e episódios violentos contribuíram para ampliar as críticas à atuação federal.
Deportações e impacto nas comunidades
O alcance das deportações também se tornou motivo de preocupação. Dados divulgados pelo Departamento de Segurança Interna indicaram mais de 600 mil remoções entre o início do segundo mandato de Trump e o fim de janeiro de 2026, segundo o texto original. A política de fiscalização, porém, não se restringiu a imigrantes com condenações por crimes violentos, como parte do eleitorado esperava.
Pesquisadores que estudam o tema afirmam que as operações atingiram também pessoas que vivem há décadas no país, têm filhos ou cônjuges americanos, mantêm negócios e possuem vínculos consolidados com suas comunidades. Em diferentes cidades e períodos, estimativas citadas por esses especialistas apontam que entre 70% e 80% dos imigrantes removidos não tinham antecedentes criminais. O percentual depende do local, do período e dos critérios utilizados, não devendo ser generalizado para todas as deportações.
A dimensão dessas operações também repercute entre eleitores latinos. Parte desse grupo apoiou Trump em 2024, atraída por promessas de segurança e aplicação da lei. A intensificação das ações migratórias no interior do país, contudo, provocou críticas de pessoas que consideram excessivos os métodos empregados, inclusive diante de denúncias de abordagens baseadas na aparência ou origem étnica.
Economia ganha centralidade
As preocupações econômicas ocupam o primeiro lugar nas prioridades eleitorais. Levantamento da AP-NORC realizado em outubro identificou a economia e o custo de vida como os temas mais frequentemente apontados pelos eleitores como decisivos para o voto.
Especialistas avaliam que as operações migratórias podem contribuir para aumentar os custos em setores dependentes de mão de obra, como construção, restaurantes e jardinagem. A retirada de trabalhadores pode reduzir a oferta de serviços e pressionar os preços, embora o impacto varie conforme a atividade econômica e a região.
Empresários e consumidores já enfrentam custos elevados em reformas residenciais e outros serviços. Nesse contexto, as consequências da política migratória passaram a integrar o debate econômico, para além das questões de segurança e controle de fronteiras.
A imigração pode, assim, representar um desafio eleitoral para os dois partidos. Os republicanos precisam conciliar o apoio ao controle migratório com a insatisfação provocada pelas operações internas. Os democratas, por sua vez, enfrentam o desafio de apresentar propostas que combinem fiscalização, segurança e alternativas legais para imigrantes estabelecidos no país.
O debate também pode influenciar a eleição presidencial de 2028. Entre as propostas discutidas por especialistas estão uma reforma migratória mais ampla, caminhos menos restritivos para a obtenção de residência permanente e cidadania e a retomada de posições republicanas favoráveis à regularização de parte dos imigrantes sem situação legal.
Embora a imigração permaneça relevante, o peso eleitoral do tema dependerá também da evolução dos preços, do emprego e da percepção pública sobre os resultados das políticas adotadas pelo governo.


