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Uma operação que teria organizado centenas de casamentos fraudulentos para facilitar a obtenção de residência permanente nos Estados Unidos levou à acusação federal de seis moradores de Massachusetts. Segundo a Procuradoria do Distrito de Massachusetts, o esquema funcionou por mais de dez anos, gerou mais de US$ 6 milhões e envolveu cidadãos americanos pagos para se casar com estrangeiros interessados em obter benefícios migratórios.
A principal acusada é Jennifer Gonzalez, de 43 anos, residente em Fall River. Segundo os investigadores, ela coordenava a atividade, recrutava cidadãos americanos dispostos a participar dos casamentos e cobrava dos clientes entre US$ 38 mil e US$ 40 mil por união. A estimativa da Procuradoria é de 18 a 20 casamentos fraudulentos por ano durante pelo menos uma década.
Também foram acusados Erica Daniels, 29 anos; Chreise Alejandro, 39; Amara Pugh, 31; e Jaylin Hill, 26, todos de Fall River, além de Jessica Tavares, 31, de Attleboro. Cinco foram presos em 21 de outubro. Hill já estava sob custódia estadual, cumprindo pena por um crime relacionado a armas de fogo.
Segundo a denúncia, Daniels, Alejandro, Tavares e Hill teriam recebido pagamentos para se casar com estrangeiros. Pugh é apontada como responsável por tarefas administrativas, enquanto Gonzalez organizaria os contratos e os pagamentos.
Como funcionaria o esquema
Os documentos judiciais descrevem uma operação estruturada para fazer os casamentos parecerem legítimos perante as autoridades migratórias. Os participantes supostamente permaneciam casados por alguns anos antes de se divorciar, permitindo que os cidadãos americanos participassem de novas uniões.
Gonzalez teria orientado os clientes a abrir contas bancárias conjuntas, contratar seguros de vida e produzir fotografias de casais em cerimônias e encontros sociais. A documentação seria utilizada em pedidos apresentados ao Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS). Em gravações reunidas durante a investigação, Gonzalez teria explicado que preparava os documentos necessários ao longo de três a quatro meses. Em um dos episódios descritos pelos investigadores, ela teria recebido US$ 3 mil como entrada e orientado a elaboração de um contrato disfarçado de empréstimo para ocultar a finalidade da transação.
Além do pagamento inicial, clientes supostamente desembolsavam US$ 500 mensais ao cônjuge contratado ou a alguém próximo. A Procuradoria afirma que a operação arrecadou milhões de dólares ao longo de aproximadamente 12 anos.
Brasileiro aparece nos documentos
Os investigadores afirmam que o brasileiro negociou um casamento com Erica Daniels por US$ 26 mil. O acordo teria previsto uma entrada de US$ 5 mil e pagamentos mensais de US$ 500 à mulher após a celebração da união, em agosto de 2024.
O brasileiro não foi identificado nominalmente nas informações públicas consultadas e não figura entre os seis acusados neste processo. A Procuradoria também não anunciou, até o momento, acusações contra os clientes estrangeiros mencionados na investigação.
Benefícios sociais e investimentos no exterior
A investigação aponta ainda suspeitas de irregularidades na obtenção de benefícios públicos. Segundo os documentos, Gonzalez e outros acusados teriam omitido informações sobre casamentos ou rendimentos em pedidos de assistência alimentar do programa federal SNAP.
A Procuradoria afirma que Gonzalez recebeu mais de US$ 120 mil em benefícios alimentares entre 2019 e 2026, enquanto supostamente comandava a operação. As autoridades também apontam possíveis irregularidades relacionadas a auxílio habitacional e seguro-desemprego.
Parte dos lucros teria sido investida em empresas e imóveis na República Dominicana. A Procuradoria informou que pretende cooperar com as autoridades dominicanas para localizar os ativos e avaliar medidas para recuperá-los.
Os seis acusados respondem a acusações de conspiração para abrigar estrangeiros em situação migratória irregular, abrigamento, conspiração para cometer fraude matrimonial e fraude matrimonial. As penas máximas previstas para cada crime variam de cinco a dez anos de prisão, além de multas, conforme a acusação.
O caso permanece em andamento. As alegações apresentadas pela Procuradoria ainda precisam ser comprovadas judicialmente, e os acusados são considerados inocentes até que sua culpa seja demonstrada.
Six Charged in Large Scale Marriage Fraud Ring: https://www.justice.gov/usao-ma/pr/six-charged-large-scale-marriage-fraud-ring


