
Boston, 03 de Fevereiro de 2026
Dois agentes federais de imigração foram identificados como os responsáveis pelos disparos que resultaram na morte do manifestante Alex Pretti, de 37 anos, durante um confronto em Minneapolis no dia 24 de janeiro. Jesus Ochoa, 43 anos, agente da Patrulha de Fronteira desde 2018, e Raymundo Gutierrez, 35 anos, oficial da Customs and Border Protection (CBP) desde 2014 e integrante de uma equipe de resposta especial, participavam da Operação Metro Surge, uma ofensiva migratória que mobilizou forças federais armadas e mascaradas na cidade. O incidente ocorreu quando Pretti interveio para ajudar uma manifestante derrubada por um agente, levando a uma luta física com uso de spray de pimenta e, em seguida, disparos de pistolas Glock, que causaram sua morte. Ambos os agentes são latinos originários do sul do Texas, região com forte influência de comunidades mexicano-americanas e proximidade com a fronteira, sugerindo raízes na América Latina, possivelmente México ou América Central.
A revelação da identidade étnica desses agentes como latinos gerou reações irônicas em certos círculos, especialmente entre aqueles que enquadram a questão migratória como uma luta racial entre “brancos opressores” e “não-brancos oprimidos”. Críticos dessa visão comparam os agentes a figuras históricas como o “capitão do mato” no Brasil colonial — equivalente, nos EUA, a termos como “Uncle Tom” ou “sellout” (traidor da própria raça), usados para estigmatizar minorias que se alinham a estruturas de poder majoritárias. Essa narrativa sugere que latinos em posições de autoridade migratória estariam “traindo” sua herança étnica ao executar políticas restritivas do governo Trump.
Um exemplo recente dessa ironia surgiu com o caso do influenciador brasileiro Eustáquio da Silva Pena Júnior, detido pelo ICE em 31 de janeiro de 2026, em Newark, Nova Jersey, por falha administrativa em uma audiência migratória — sem envolvimento em crimes. Pena Júnior, residente nos EUA desde 2009 e com centenas de milhares de seguidores, defendia abertamente Donald Trump e as políticas de imigração rígidas. A mídia liberal, como o The Guardian, destacou o título irônico: “Brazilian influencer who defended US immigration crackdown arrested by ICE”, reforçando a zombaria de quem vê incoerência ou hipocrisia.
No entanto, essas escolhas são pessoais e não sinalizam virtudes ou hipocrisia inerente. Elas refletem convicções individuais baseadas em experiências reais, não em uma suposta lealdade racial coletiva. No fundo, o migrante conservador que vota em políticas nacionalistas está dizendo: “Eu fugi de caos e autoritarismo; não quero importar isso para cá”. É uma escolha racional e moral, não uma traição étnica. Quem romantiza ditaduras ou imigração irrestrita muitas vezes nunca sentiu na pele o que é viver sob elas — e aí surge a ironia ou o espanto falso.
Isso fica ainda mais evidente quando consideramos que muitos imigrantes latinos, incluindo brasileiros, são antes de tudo refugiados econômicos: fugiram de instabilidade, inflação, corrupção e opressão em seus países de origem. O mais estranho e espantoso é ver alguns desses mesmos imigrantes apoiando regimes ou ideias alinhadas ao esquerdismo populista que os oprimiam economicamente em seus lares — ideologias que geraram exatamente o colapso que os levou a migrar. Essa contradição revela mais sobre narrativas ideológicas importadas do que sobre as motivações reais das pessoas.
Essa observação, comum entre latinos alinhados à direita, reflete exatamente essa clareza: valores morais e experiências reais acima de narrativas identitárias impostas. Reduzir o debate a ironias raciais ou comparações pejorativas não só distorce a realidade, mas perpetua divisões artificiais, em vez de focar no que importa: imigração legal, controlada e integrada, que respeite a soberania e as lições duras que muitos imigrantes carregam consigo.


