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O presidente da Argentina, Javier Milei, provocou nova crise diplomática com o Brasil ao fazer críticas duras e ofensivas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, durante a Convenção Nacional do Partido Liberal (PL), realizada no sábado (25) em São Paulo.
No discurso em que apoiou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, Milei referiu-se a Lula como “presidiário” e “ladrão”. Sobre Moraes, afirmou: “O lixo careca não me permitiu visitar o meu amigo, injustamente preso.” O argentino reclamava da decisão judicial que impediu sua visita a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Milei também associou o governo brasileiro ao “socialismo do século XXI” e ao Fórum de São Paulo, descrevendo-o como instrumento de disseminação do comunismo na América Latina. Disse ainda que apenas Flávio Bolsonaro seria capaz de “parar Lula” e promover mudanças no país.
Reação do governo brasileiro
No domingo (26), o Ministério das Relações Exteriores convocou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli. A medida é considerada um gesto de protesto diplomático. Segundo o Itamaraty, as declarações de Milei representaram uma “afronta” que desrespeitou o presidente da República, o Poder Judiciário e o povo brasileiro.
O governo também convocou o embaixador da Argentina em Brasília para prestar esclarecimentos. A decisão de chamar Bitelli de volta foi tomada pelo chanceler Mauro Vieira assim que tomou conhecimento do conteúdo do discurso.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, também reagiu. Em nota, classificou as palavras de Milei como “referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro”. Fachin afirmou que a decisão questionada pelo argentino foi tomada de acordo com a Constituição e as leis brasileiras e deplorou manifestações “incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”.
A crise ocorre em um momento de relações já distantes entre Brasília e Buenos Aires. Desde a eleição de Milei, em 2023, os dois governos mantêm contato mínimo em alto nível, marcado por divergências ideológicas e declarações mútuas de crítica.


