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Um ginecologista do Exército americano filmou secretamente exames íntimos de pacientes no Forte Hood, no Texas, conforme ação judicial apresentada nesta segunda-feira. A denúncia aponta o major Blaine McGraw como autor de abusos que teriam vitimado dezenas de mulheres, apesar de queixas anteriores de assédio sexual ignoradas pela hierarquia militar.“Ao fazê-lo, o Exército deu cobertura a um predador fardado”, afirma o processo, protocolado no Tribunal Distrital do Condado de Bell.
McGraw foi suspenso e está sob investigação da Divisão de Investigação Criminal do Exército (CID). Autoridades informaram que pelo menos 25 mulheres já foram contatadas após a descoberta de fotos e vídeos de partes íntimas femininas em dispositivos do médico. A autora da ação, identificada como Jane Doe para preservar sua identidade, é casada com militar da ativa há mais de 20 anos. Seu advogado, Andrew Cobos, representa outras 45 mulheres com alegações semelhantes. “Investigadores recuperaram milhares de fotografias e vídeos de seu celular, capturados ao longo de anos, mostrando dezenas de pacientes, muitas ainda não identificadas”, diz o texto.
A vítima só descobriu a gravação em outubro, ao ser convocada pelo CID. Agentes mostraram-lhe imagens extraídas de vídeos que a retratavam inequivocamente durante consulta realizada três dias antes – incluindo exames de mama e pélvico completos, registrados sem seu conhecimento. Ao deixar a sala, recebeu apenas um folheto com telefones de departamentos militares. “Sentou-se no carro estacionado e chorou”, relata o processo. “Seu senso de segurança foi destroçado, uma ferida que não cicatriza”, declarou ela à NBC News. “Como alguém pode se sentir seguro novamente quando a instituição destinada a proteger se torna fonte de trauma?”
O advogado de McGraw, Daniel Conway, afirmou que o médico colabora plenamente com as apurações e criticou advogados de vítimas por divulgarem “informações imprecisas”. O Forte Hood sustenta que o médico foi suspenso no mesmo dia da primeira denúncia, em 17 de outubro, e que múltiplas investigações internas estão em curso.
Queixas anteriores remontam a 2019, quando McGraw atuava no Tripler Army Medical Center, no Havaí. Uma paciente denunciou gravação secreta de exame pélvico; a reclamação foi arquivada e o médico transferido sem sanções. Entre as acusações estão toques inapropriados, comentários grosseiros – como elogiar a aparência de órgãos genitais ou chamar o clitóris de “ponto feliz” – e procedimentos desnecessários.
Cobos planeja ação federal contra o Exército. “McGraw usou o uniforme para caçar as mulheres que nele confiavam”, afirmou. “A instituição recebeu alertas repetidos e preferiu proteger a reputação à segurança de militares, esposas e filhas.”
O caso reacende críticas ao Forte Hood, palco do assassinato da soldado Vanessa Guillén em 2020, após assédio sexual ignorado pela cadeia de comando.
A vítima atual resume o drama de muitas: “Entrar na sala de exames era confiar no hospital militar que me atendera tantas vezes. Jamais imaginei que essa confiança seria violada de forma tão profunda. Exijo responsabilidade – do médico e do Exército. Mereçamos ser vistas, ouvidas e protegidas.”


