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De acordo com os dados mais recentes, o DHS intensificou significativamente a apresentação de ordens de deportação aos juízes de imigração. Em março de 2026, o órgão protocolou 47.900 novas Notificações de Comparecimento (NTAs), número praticamente duas vezes maior que o registrado em março de 2025 (24.507).
Os números caso a caso mostram claramente quem o DHS está priorizando. Das novas ações, apenas 55 indivíduos tiveram alegações de atividade criminosa. Em contrapartida, 23.347 foram alvo por violações puramente imigratórias, como permanência ilegal após o vencimento do visto ou entrada irregular no país. As acusações relacionadas a segurança nacional ou terrorismo, que já são raras, caíram de 13 para apenas 2 casos.
Ao mesmo tempo, o número de juízes de imigração disponíveis despencou. No final do ano fiscal de 2024 havia 735 juízes; em dezembro de 2025, esse número caiu para 557, principalmente em razão das demissões promovidas pelo governo Trump.
Como consequência, embora o volume de casos encerrados ainda seja superior ao de novos processos protocolados, o ritmo de conclusões não cresceu. Na verdade, o número mensal de casos finalizados registrou leve queda, passando de 86.077 para 82.691 no último ano. Apesar das novas políticas de agilização, o tempo médio para a conclusão de um caso subiu de 698 para 803 dias.
O total de processos pendentes nos Tribunais de Imigração diminuiu de 3,7 milhões no final do governo Biden para 3,3 milhões atualmente. No entanto, com menos juízes, a carga de trabalho por magistrado aumentou: cada juiz responde hoje por quase 6.000 casos, contra cerca de 5.000 no final do ano fiscal de 2024.
Essa pressão resulta em esperas ainda maiores. O tempo médio de espera para a resolução completa de um caso chegou a 882 dias (sem contar o tempo até o agendamento da audiência). Para quem já protocolou pedido de asilo, o tempo médio até a primeira audiência subiu para 1.764 dias. Um número crescente de imigrantes ainda nem teve data de audiência marcada.


