Washington, 13 de janeiro de 2026 – O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que revogou mais de 100 mil vistos desde o retorno de Donald Trump à Presidência, em janeiro de 2025, estabelecendo um novo recorde em um único ano. O número representa mais que o dobro das revogações registradas em 2024, último ano do governo Joe Biden, quando foram cancelados cerca de 40 mil vistos.
A informação foi divulgada na segunda-feira pelo porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Tommy Pigott, em postagem na rede social X. “Em menos de um ano, a administração Trump revogou mais de 100 mil vistos. Isso inclui vistos cancelados de milhares de estrangeiros acusados ou condenados por crimes, como agressão, furto e direção sob influência de álcool”, afirmou Pigott.
Segundo reportagem exclusiva da Fox News de novembro de 2025 — quando o total de revogações acumuladas chegava a cerca de 80 mil —, entre as causas criminais mais frequentes estavam mais de 16 mil casos por direção sob influência de álcool ou drogas (DUI), mais de 12 mil por agressão (assault) e mais de 8 mil por furto (theft). Juntas, essas três categorias respondiam por quase metade das revogações até aquele momento. O Departamento de Estado não divulgou atualização oficial desses breakdowns para o total final de 2025.
A maior parte das revogações, no entanto, continua associada a permanência irregular (overstays) em vistos de turismo ou negócios. Além disso, cerca de 8 mil vistos de estudantes e 2,5 mil de trabalhadores especializados foram cancelados por “encontros com a polícia” relacionados a atividades criminosas.
O anúncio faz parte da política de endurecimento migratório implementada desde o primeiro dia do segundo mandato de Trump. Sob a gestão do secretário de Estado Marco Rubio, as revogações ganharam intensidade. Em 2025, o departamento cancelou vistos de estudantes envolvidos em manifestações pró-Palestina em universidades americanas — ações classificadas pelo governo como ligadas ao apoio ao Hamas. Também foram revogados vistos de estrangeiros que teriam celebrado, em redes sociais, o assassinato do podcaster conservador Charlie Kirk, ocorrido em Utah.
Críticos, incluindo advogados de imigração, entidades de defesa dos direitos civis e parlamentares democratas, acusam a administração de usar as revogações como ferramenta para ampliar o contingente de imigrantes sem status legal, facilitando deportações em massa. O governo Trump estabeleceu meta ambiciosa de mais de 10 milhões de deportações ao longo do mandato.
Embora o Departamento de Segurança Interna (DHS) seja responsável pela execução das remoções, cabe ao Departamento de Estado a emissão e o cancelamento inicial de vistos. A política tem enfrentado contestações judiciais, especialmente quando envolve liberdade de expressão de não cidadãos legalmente presentes no território americano.
Autoridades do governo defendem que a revogação de vistos é prerrogativa discricionária do Executivo, usada há décadas, mas que agora é aplicada com maior rigor até mesmo a infrações menores — como multas de trânsito ou casos isolados de direção sob influência — que, no passado, raramente resultavam na perda do status legal.
O Departamento de Estado não informou quantos dos ex-portadores de visto já deixaram o país. O tema continua a alimentar o acalorado debate sobre imigração nos Estados Unidos, em meio à promessa de Trump de tornar o país mais seguro por meio de controles fronteiriços e vetting mais rigorosos.


