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Washington, 13 de janeiro de 2026 – Em um episódio surpreendente de aproximação política, a senadora Elizabeth Warren (D-MA), uma das principais críticas do presidente Donald Trump, anunciou que o próprio Trump ligou por telefone na segunda-feira para conversar sobre sua proposta de limitar os juros de cartões de crédito e outras medidas para melhorar a “acessibilidade” (affordability) das famílias americanas.
A ligação ocorreu horas após Warren discursar no National Press Club, em Washington, onde criticou duramente o governo Trump por não ter cumprido promessas de campanha para reduzir custos de vida. “Trump prometeu baixar os preços no primeiro dia, mas só aumentou os custos para as famílias americanas”, afirmou a senadora, ranking member do Comitê de Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos do Senado.
Em comunicado oficial divulgado em seu site e nas redes sociais, Warren confirmou: “Após meu discurso, o presidente me ligou, e eu transmiti diretamente a mesma mensagem sobre acessibilidade. Disse a ele que o Congresso pode aprovar legislação para limitar os juros dos cartões de crédito se ele realmente lutar por isso”.
News: Sen. Elizabeth Warren (D-Mass.) says she spoke with President Donald Trump today after addressing the National Press Club
Warren says they discussed credit card rate caps and ROAD to Housing >>> pic.twitter.com/I32WRVpfPu
— Brendan Pedersen (@BrendanPedersen) January 12, 2026
A senadora também aproveitou a conversa para pressionar Trump a mobilizar os republicanos da Câmara dos Representantes a aprovarem o ROAD to Housing Act (Renewing Opportunity in the American Dream to Housing Act), projeto bipartidário que já passou no Senado com apoio unânime. Patrocinado principalmente pelo senador Tim Scott (R-SC) e apoiado por Warren, o texto inclui medidas para aumentar a oferta de moradias, facilitar a compra de casas por veteranos e reduzir burocracias regulatórias, com o objetivo de baixar os custos habitacionais.
O tema ganhou força após Trump anunciar, na sexta-feira passada, via Truth Social, uma proposta de limite temporário de 10% nos juros de cartões de crédito por um ano, a entrar em vigor em 20 de janeiro de 2026 – data do primeiro aniversário de sua posse no segundo mandato. “Não vamos mais permitir que o povo americano seja explorado por empresas de cartões de crédito que cobram juros de 20% a 30%, ou mais, algo que proliferou sem freios durante a administração Sleepy Joe Biden”, escreveu o presidente.
A iniciativa de Trump reacende um debate antigo: a média dos juros de cartões nos EUA gira em torno de 20% a 21,5%, segundo dados do Federal Reserve, e propostas de teto já foram defendidas por progressistas como Warren há anos. No entanto, críticos apontam que a medida exigiria aprovação legislativa ou ação regulatória, e não apenas um apelo direto às empresas.
A ligação entre Trump e Warren é notável dada a história de atritos entre os dois. O presidente já chamou a senadora de “Pocahontas” por conta de controvérsias sobre sua ancestralidade indígena. Apesar das diferenças ideológicas profundas – incluindo as tentativas da administração Trump de enfraquecer o Consumer Financial Protection Bureau (CFPB), agência criada por Warren após a crise de 2008 –, o tema da acessibilidade econômica surge como raro ponto de convergência bipartidária às vésperas das eleições de meio de mandato de 2026.
Warren enfatizou que a conversa foi “inteiramente sobre como reduzir custos para as famílias americanas” e que está disposta a colaborar: “Farei o que for preciso para baixar esses custos”. Analistas veem o episódio como sinal de que a pressão popular por alívio econômico pode forçar alianças improváveis em um Congresso polarizado.
O governo Trump ainda não comentou oficialmente a ligação, mas o foco em “affordability” continua central na narrativa da Casa Branca, em meio a crescentes preocupações com dívida de cartão de crédito e preços de moradia. O desfecho dependerá agora de negociações no Congresso – e de se o presidente usará sua influência para avançar as propostas.


