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Kingston, Jamaica – 24 de novembro de 2025 – O mundo do reggae chora a perda de um de seus maiores pioneiros. Jimmy Cliff, o lendário cantor e compositor jamaicano que ajudou a levar os ritmos da ilha caribenha para os palcos globais, faleceu nesta segunda-feira aos 81 anos. A notícia, confirmada pela família, pegou fãs de surpresa e gerou uma onda de tributos imediatos nas redes sociais e na mídia internacional. A causa da morte foi pneumonia, desencadeada após um episódio de convulsão, segundo o anúncio oficial feito pela esposa do artista, Latifa Chambers. Em uma postagem emocionante no Instagram oficial de Jimmy Cliff, Latifa compartilhou: “É com profunda tristeza que eu compartilho que meu marido, Jimmy Cliff, partiu devido a uma convulsão seguida de pneumonia. […] Jimmy, meu querido, que você descanse em paz. […] Seu apoio foi sua força durante toda a carreira.”
Os filhos do cantor, Lilty e Aken, também assinaram a mensagem, expressando gratidão aos fãs e pedindo privacidade no momento de luto. O comunicado completo pode ser acessado aqui no Instagram oficial.
Nascido James Chambers em 1º de abril de 1944, em Somerton, na Jamaica, Cliff emergiu na década de 1960 como uma das vozes mais potentes do ska e do reggae, gêneros que moldariam a identidade musical jamaicana. Sua carreira decolou com álbuns como Hard Road to Travel (1968) e hits eternos como “You Can Get It If You Really Want” e “Vietnam”. Mas foi o filme The Harder They Come (1972), no qual atuou e compôs a trilha sonora, que o transformou em um ícone global. O longa, um clássico cult que retrata a luta de um jovem artista em Kingston, introduziu o reggae a plateias além do Caribe, influenciando gerações de músicos, de Bob Marley a artistas contemporâneos como Chronixx.
Ao longo de seis décadas, Cliff acumulou prêmios e honrarias. Ele conquistou dois Grammys de reggae – em 1986 por Cliff Hanger e em 2013 por Rebirth –, foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame em 2010 e recebeu a Ordem do Mérito da Jamaica, sendo um dos últimos reggae vivos a ostentar a distinção. Sua música, marcada por temas de resistência, amor e espiritualidade, ecoou em trilhas sonoras de filmes como Cool Runnings e em covers por astros como Johnny Nash (“I Can See Clearly Now”). “Jimmy Cliff não era apenas um cantor; ele era a alma da Jamaica em forma de som”, resumiu o primeiro-ministro jamaicano, Andrew Holness, em declaração oficial, descrevendo-o como um “gigante cultural” que “levou a alma da nação ao mundo”.
A repercussão foi imediata. Na Jamaica, bandeiras a meio mastro foram hasteadas em estúdios de gravação em Kingston, enquanto fãs se reuniram espontaneamente em locais icônicos como o Tuff Gong, estúdio de Bob Marley. Internacionalmente, veículos como The New York Times, The Guardian, CNN e Rolling Stone publicaram obituários destacando seu papel na globalização do reggae.
Em Portugal e no Brasil, onde Cliff lotava shows nos anos 1970 e 1980, jornais como Observador, Expresso e Jornal SOL noticiaram a perda, com fãs nas redes sociais compartilhando trechos de “Many Rivers to Cross” em homenagens coletivas. No X (antigo Twitter), hashtags como #RIPJimmyCliff e #ReggaeLegend acumularam milhões de interações em poucas horas.Latifa Chambers, em seu comunicado, enfatizou o legado de resiliência do marido: “Eu sou grata pela família, amigos, colegas artistas e coworkers que compartilharam sua jornada com ele. Seu amor pela música e pela humanidade inspirará gerações.”
Cliff deixa um vazio, mas sua voz – rouca, esperançosa e inconfundivelmente jamaicana – continuará a atravessar oceanos. Para os que o admiravam, uma sugestão: ouça “The Harder They Come” e sinta o pulsar de uma era que ele ajudou a definir.


