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Criadores de conteúdo e influenciadores digitais que viajam aos Estados Unidos para gravar vídeos, divulgar produtos ou participar de campanhas publicitárias precisam verificar se suas atividades são permitidas pelo visto utilizado. O fato de receberem pagamentos em contas bancárias no país de origem não elimina, por si só, o risco de violação das regras migratórias americanas.
Um dos principais equívocos é acreditar que contratos com empresas estrangeiras ou transferências internacionais tornam automaticamente legal qualquer atividade profissional realizada durante a estadia. A legislação americana distingue as atividades permitidas a visitantes temporários daquelas que exigem autorização específica para trabalhar.
Os vistos B-1 e B-2 são destinados, respectivamente, a determinadas atividades temporárias de negócios e ao turismo. Eles não constituem uma autorização geral para prestar serviços profissionais em território americano. A admissibilidade de cada atividade depende de sua natureza, finalidade e circunstâncias.
Por isso, influenciadores convidados por marcas para produzir material publicitário, gravar vídeos patrocinados ou participar de campanhas comerciais precisam verificar previamente se essas atividades são compatíveis com sua categoria migratória. A localização da conta bancária utilizada para receber o pagamento não determina, isoladamente, a legalidade do trabalho.
A realização de atividades não autorizadas pode resultar em problemas migratórios, incluindo dificuldades em futuras solicitações de visto ou admissões no país. Dependendo das circunstâncias, declarações falsas às autoridades também podem agravar a situação.
Qual visto pode ser necessário?
Algumas atividades profissionais exigem uma categoria migratória específica. O visto O-1B, por exemplo, destina-se a pessoas com habilidade extraordinária nas artes ou realizações extraordinárias na indústria cinematográfica ou televisiva. Sua concessão depende do cumprimento dos requisitos legais e da aprovação de uma petição.
Isso não significa que todo influenciador digital precise desse visto. O enquadramento depende do tipo de trabalho, das qualificações do profissional, dos contratos envolvidos e das condições em que a atividade será realizada.
A recomendação é verificar as exigências antes de assinar contratos ou viajar, sobretudo quando houver remuneração por serviços executados nos Estados Unidos.
Jornalistas também precisam observar as regras
Os profissionais da imprensa estrangeira podem se enquadrar no visto I, destinado a determinadas atividades jornalísticas e informativas. A categoria pode abranger não apenas repórteres, mas também editores, cinegrafistas, produtores e outros integrantes essenciais de veículos de comunicação estrangeiros, desde que atendam aos requisitos aplicáveis.
Entretanto, o vínculo com um veículo de imprensa não autoriza automaticamente a realização de atividades comerciais. Produzir uma reportagem e executar uma campanha publicitária para uma empresa são atividades distintas, que podem receber tratamentos migratórios diferentes.
Também é necessário observar as condições de permanência e as regras aplicáveis à remuneração e às despesas profissionais. O período autorizado depende das condições específicas de admissão e das normas vigentes; não se deve presumir que todos os titulares de visto I tenham o mesmo limite de permanência.
Como evitar problemas
Antes de viajar aos Estados Unidos para produzir conteúdo, é recomendável:
- Conferir o visto: verificar se a categoria migratória permite as atividades previstas.
- Analisar os contratos: identificar quem contratou o serviço, onde será executado e qual é sua finalidade.
- Não confiar apenas na origem do pagamento: receber em uma conta estrangeira não torna automaticamente permitido um trabalho realizado nos Estados Unidos.
- Distinguir jornalismo de publicidade: a cobertura informativa de um evento pode ter enquadramento diferente da produção de material promocional para uma marca.
- Buscar orientação jurídica: consultar um advogado de imigração antes de assumir compromissos profissionais ou embarcar, especialmente quando houver remuneração por serviços prestados em território americano.
O crescimento da publicidade digital e das parcerias internacionais ampliou as oportunidades para criadores de conteúdo, mas também exige atenção às regras migratórias de cada país.
Publicar nas redes sociais durante uma viagem não significa, por si só, exercer trabalho irregular. O que importa é a natureza da atividade, a finalidade da viagem e a autorização concedida ao visitante. Conhecer essas diferenças antes de embarcar pode evitar prejuízos financeiros e problemas que comprometam futuras viagens aos Estados Unidos.


